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Veja o momento da prisão de Fabrício Queiroz em Atibaia

Do UOL, em São Paulo

18/06/2020 10h23Atualizada em 19/06/2020 12h26

Imagens de TV mostram detalhes da prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), na manhã de hoje em Atibaia, cidade do interior paulista, numa ação conjunta do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Nas imagens veiculadas pela Band, é possível ver a casa em que se encontrava Queiroz, e ele sentado em uma sala, enquanto a equipe da Polícia Civil de São Paulo, usando máscaras por conta da pandemia do coronavírus, faz apreensões em alguns dos cômodos da casa.

Itens são expostos na mesa à qual o ex-assessor de Flavio está sentado, e ele é questionado se uma carteira encontrada na casa pertence a ele.

A prisão de Queiroz

Queiroz foi localizado e preso em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seu filho Flavio. Ontem, Wassef esteve na posse novo ministro das Comunicações, Fabio Faria (PSD), que contou com a presença do presidente.

A prisão é preventiva, ou seja, sem prazo. Policiais também realizaram busca e apreensão no local. A mulher de Queiroz também teve prisão autorizada.

Veja mais imagens da prisão

Band Notí­cias

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves, que participou da prisão, disse que o caseiro do local informou que Queiroz estava na casa do advogado há cerca de um ano. Flavio Bolsonaro e seu advogado diziam não saber do paradeiro de Queiroz.

De acordo com o delegado, Queiroz estava sozinho na casa quando os policiais chegaram. "A reação dele [Queiroz] foi tranquila, não esboçou reação. Só falou que estava um pouco doente", declarou o delegado. Queiroz trata de um câncer.

Gonçalves afirmou ainda que foram apreendidos com Queiroz dois celulares, documentos e uma pequena quantia em dinheiro —o valor não foi revelado.

Queiroz foi levado para o Palácio da Polícia, no centro de São Paulo, para procedimentos legais e deve ser transferido ainda hoje para o Rio.

A operação, batizada de Anjo, cumpre ainda outras medidas autorizadas pela Justiça relacionadas ao inquérito que investiga suposto esquema de rachadinha, em que servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) devolveriam parte de seus salários ao então deputado Flávio Bolsonaro, que exerceu mandato de 2003 a 2019.

Segundo interlocutores do governo, Jair Bolsonaro se mostrou "revoltado" com a prisão de Queiroz.

No Twitter, Flavio disse que a prisão é mais um ataque ao pai. "Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!", escreveu.

Quem é Fabrício Queiroz

O ex-assessor Fabrício Queiroz passou a ser investigado em 2018 depois que um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou movimentação financeira atípica dele, que é amigo do presidente desde 1984.

Policial reformado ele, que havia atuado como motorista e assessor do então deputado estadual, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O último salário de Queiroz na Alerj fora de R$ 8.517. Ele também recebeu transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio.

As movimentações atípicas, que vieram à tona num braço da Operação Lava Jato, levaram à abertura de uma investigação pelo MP do Rio.

Uma das transações envolve um cheque de R$ 24 mil depositado na conta da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente se limitou a dizer que o dinheiro era para ele, e não para a primeira-dama, e que se tratava da devolução de um empréstimo de R$ 40 mil que fizera a Queiroz. Alegou não ter documentos para provar o suposto favor.

Em entrevista ao SBT em 2019, Queiroz negou ser um "laranja" de Flávio. Segundo ele, parte da movimentação atípica de dinheiro vinha de negócios como a compra e venda de automóveis. "Sou um cara de negócios, eu faço dinheiro... Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro. Sempre fui assim", afirmou na ocasião.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o segundo parágrafo da matéria, Fabrício Queiroz foi preso pela Polícia Civil de São Paulo, e não pela Polícia Federal. A informação foi corrigida.

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