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Câmara do Rio rejeita novo pedido de abertura de impeachment de Crivella

Foram 20 votos favoráreis à abertura do processo, frente a 24 votos contrários - Maurício Almeida/AM Press & Images/Estadão Conteúdo
Foram 20 votos favoráreis à abertura do processo, frente a 24 votos contrários Imagem: Maurício Almeida/AM Press & Images/Estadão Conteúdo

Maria Luísa de Melo

Do UOL, no Rio de Janeiro

17/09/2020 18h27Atualizada em 17/09/2020 21h40

Resumo da notícia

  • Denúncia feita pelo PSOL visava investigar se houve crime no episódio conhecido como "QG da Propina"
  • Esse foi o quinto pedido de impeachment do prefeito levado a plenário na Câmara
  • Base governista defendeu aguardar as eleições de outubro; Crivella é candidato à reeleição

Por 24 votos a 20, a Câmara do Rio rejeitou hoje novo pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). A denúncia feita pelo PSOL tinha como objetivo apurar se houve crime de responsabilidade no episódio conhecido como o "QG da Propina" — suposto esquema de corrupção que, segundo o Ministério Público do RJ, contaria com a anuência do prefeito.

A votação teve seis vereadores ausentes. O presidente da Casa, Jorge Felippe (DEM), estava impedido de votar. O número fez diferença no placar final, que teve 24 votos contrários à abertura do processo contra 20 a favor. Ou seja, uma diferença maior entre votos favoráveis e contrários em comparação com a última votação. Na ocasião, a diferença foi de apenas dois votos.

Entre os faltosos, estão o vereador Paulo Messina (MDB), Rosa Fernandes (PSC), Junior da Lucinha (PL), Luiz Carlos Ramos Filho (PMN), Marcelo Arar (PTB) e Thiago K. Ribeiro (DEM).

Este é o quinto pedido de impeachment levado a votação na Câmara durante o mandato de Crivella, que nas eleições deste ano é candidato à reeleição. O pedido anterior, rejeitado no último dia 3, tratava do episódio batizado de "Guardiões do Crivella", caso que deu origem a uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito).

"O prefeito agradece aos vereadores e segue dedicado e firme em seu trabalho na Prefeitura do Rio", afirmou Crivella após a decisão.

No plenário virtual, a discussão foi polarizada entre a oposição — sobretudo o PSO L— e a base governista. Enquanto o primeiro lado elencava detalhes da investigação do Ministério Público, o líder do governo na Casa, Dr. Jairinho (PSC), apelava para que os colegas aguardassem a próxima eleição.

"No momento atual, o processo está na fase de inquérito. Mas os colegas que me antecederam já condenaram o prefeito. O chefe do Executivo não é investigado nem denunciado. Então, peço que tenham um pouco de cautela porque o processo terminaria daqui a três meses e temos novas eleições", apelou.

Tarcísio Motta (PSOL) defendeu que os colegas seriam coniventes com o suposto esquema criminoso se não voltassem a favor da abertura do processo de impeachment.

"Há fortes indícios de que o prefeito liderou uma organização criminosa. E a solução para isso não é uma CPI, mas sim o impeachment", apontou. "Quem não votar a favor do pedido de abertura dessa investigação será conivente com esse absurdo. Estamos cansados. Chega. Há indícios muito claros de um esquema criminoso", protestou.

Principal defensora de Crivella na Câmara, a vereadora Tânia Bastos culpou a esquerda pelo desgaste do prefeito."Os fatos já estão sendo investigados pelos órgãos competentes. Essa atitude revela desprezo e falta de respeito pela nossa democracia. Não há denúncia concreta contra Crivella. Se o prefeito tiver que ser chamado, será para depor. Que história é essa de unir a esquerda? Eles que lutem", disparou.

O contraponto veio de Paulo Pinheiro (PSOL). Ele relembrou o episódio no qual, durante uma operação policial, o celular do empresário Rafael Alves tocou e foi atendido por um policial civil. O aparelho havia sido apreendido durante operação realizada em março (leia mais abaixo).

"Já chegamos ao ponto de o celular do Rafael Alves tocar, ser atendido pela polícia. Uma ligação de Crivella. O MP-RJ (Ministério Público) fala em lavagem de dinheiro, peculato e crime de responsabilidade. Não atribua para a esquerda, porque os fatos são muito claros. Deixem eles explicarem para nós o que está se passando", provocou Paulo Pinheiro.

Veja como votou cada vereador

  • Alexandre Isquierdo (DEM): Não
  • Atila A. Nunes (DEM): Sim
  • Babá (Psol): Sim
  • Carlo Caiado (DEM): Sim
  • Carlos Bolsonaro (Republicanos): Não
  • Cesar Maia (DEM): Sim
  • Dr. Carlos Eduardo (Podemos): Não
  • Dr. Gilberto (PTC): Não
  • Dr. Jairinho (Solidariedade): Não
  • Dr. João Ricardo (PSC): Não
  • Dr. Jorge Manaia (Progressistas): Não
  • Dr. Marcos Paulo (Psol): Sim
  • Eliseu Kessler (PSD): Não
  • Fátima da Solidariedade (Solidariedade): Não
  • Felipe Michel (Progressistas): Não
  • Fernando William (PDT): Sim
  • Inaldo Silva (Republicanos): Nao
  • Italo Ciba (Avante): Sim
  • Jair da Mendes Gomes (Pros): Não
  • João Mendes de Jesus (Republicanos): Não
  • Jones Moura (PSD): Sim
  • Jorge Felippe (DEM): Impedido
  • Junior da Lucinha (PL): Não votou
  • Leandro Lyra (Republicanos): Não
  • Leonel Brizola (Psol): Sim
  • Luciana Novaes (PT): Sim
  • Luiz Carlos Ramos Filho (PMN): Não votou
  • Major Elitusalem (PSC): Não
  • Marcelino D'Almeida (Progressistas): Não
  • Marcelo Sicilliano (Progressistas): Não
  • Marcelo Arar (PTB): Não votou
  • Paulo Messina (MDB): Não votou
  • Paulo Pinheiro (Psol): Sim
  • Prof Celio Luparelli (DEM): Sim
  • Professor Adalmir (Progressistas): Não
  • Rafael Aloisio Freitas (Cidadania): Sim
  • Reimont (PT): Sim
  • Renato Cinco (Psol): Sim
  • Renato Moura (Patriota): Não
  • Rocal (PSD): Não
  • Rosa Fernandes (PSC): Não votou
  • Tania Bastos (Republicanos): Não
  • Tarcísio Motta (Psol): Sim
  • Teresa Bergher (Cidadania): Sim
  • Thiago K Ribeiro (DEM): Não votou
  • Vera Lins (Progressistas): Não
  • Veronica Costa (DEM): Sim
  • Wellington Dias (PDT): Sim
  • Willian Coelho (DC): Sim
  • Zico (Republicanos): Não
  • Zico Bacana (Podemos): Não

O que pesa contra Crivella

Segundo as investigações, o prefeito Marcelo Crivella teria um papel de protagonismo no esquema de corrupção, assim como o empresário Rafael Alves, de quem era próximo. Conversas obtidas pelo Ministério Público indicam que os dois se falavam frequentemente, marcando reuniões e caminhadas.

De acordo com o Ministério Público (MP-RJ), as empresas interessadas em fechar contratos ou que tivessem recursos pendentes para receber da Prefeitura entregavam cheques a Rafael Alves, que facilitaria a assinatura dos contratos e o pagamento das dívidas.

Ele é irmão de Marcelo Alves, que foi presidente da Riotur até ser exonerado no final de março. O órgão é responsável, por exemplo, pela organização do Carnaval e do Réveillon cariocas, e Marcelo era conhecido como uma "figurinha carimbada" no mercado de eventos.

Em março, quando a polícia fazia uma busca no apartamento de Rafael Alves, seu celular tocou. Do outro lado da linha era o prefeito Marcelo Crivella, que teve a ligação atendida por um policial.

O aparelho celular com detalhes das conversas trocadas entre Crivella e Alves foi apreendido na última quinta-feira (10). Na ocasião, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Polícia Civil fizeram buscas na casa de Crivella, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio; na sede da Prefeitura, e no Palácio da Cidade. A ação foi um desdobramento da Operação Hades, deflagrada em março deste ano.

Após a ação da última quinta-feira, Crivella classificou a ação da polícia e do Ministério Público como "injustificada". Ele alegou que, dias antes da operação, deixou seus sigilos bancário, telefônico e fiscal à disposição do MP-RJ.

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