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Marina Silva: Para derrotar Bolsonaro, PT e PSDB precisam fazer autocrítica

Do UOL, em São Paulo

25/05/2021 11h53Atualizada em 25/05/2021 14h46

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) disse ao vivo, no UOL Entrevista de hoje, que é preciso haver uma autocrítica pública do PT e do PSDB, principais partidos políticos do país, em prol da recuperação da democracia e de uma eventual derrota ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2022, na qual ele deverá se candidatar à reeleição.

Para ela, o atual momento de polarização política é algo que acontece de tempos em tempos na história do Brasil.

Começamos polarizando entre metrópole e colônia, entre república e império, entre indústria e agricultura, depois ditadura e democracia, [os partidos] Arena e MDB, PT e PSDB e agora nomes de pessoas. (...) O diálogo tem que acontecer. FHC e Lula conversaram e deveriam ter conversado antes. A base para mim é autocrítica, o reconhecimento de erros. Sem isso, é você assumir que não houve erro e que tudo pode continuar como era antes.
Marina Silva

Marina Silva foi candidata à presidência pela primeira vez em 2010. Em 2014, foi vice na chapa do então candidato Eduardo Campos, do PSB; após a morte dele em um acidente aéreo, assumiu o protagonismo da campanha. Ficou em terceiro lugar em ambas disputas. Tentou novamente em 2018, quando ficou em oitavo.

A líder da Rede novamente fez críticas ao PT, que para ela produziu fake news contra ela na campanha de 2014. "Na Petrobras disse-se que eu ia fechar a Petrobras, porque disse que ia incentivar o etanol. É uma conclusão mentirosa, com cena montada. Espalhar em Belém que eu ia acabar com Sírio de Nazaré por ser evangélica, com o Bolsa Família, com o Minha Casa Minha Vida". Marina, no entanto, não apresentou provas da ligação da campanha petista com os boatos.

Disputa em 2022

Questionada se irá concorrer novamente em 2022 à presidência da República, ela não deixou claro sua intenção nem afirmou diretamente quais candidaturas apoiará, mas disse que quer ajudar a compor uma candidatura progressista contra o atual presidente.

"Eu pretendo ajudar a construir alternativa para não ficar refém do passado e sepultar futuro com Bolsonaro. (...) Vamos nos comprometer com a democracia e que possa, a partir daí, fazer um diálogo [com outras candidaturas]", defendeu.

Salles, operador do desmatamento

A ex-ministra disse estar preocupada com a atual política ambiental, que vem negligenciando o desmatamento da Amazônia e que, para ela, é algo premeditado. Marina afirmou que o atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é o "operador do desmonte da governança ambiental brasileira".

"Não é que não exista forma de controlar. Bolsonaro tem isso como estratégia. Salles opera. Ele vai para a Cúpula do Clima e mente. Diz que vai dobrar orçamento dos órgãos de fiscalização. Ato contínuo na votação, a gente perde R$ 240 milhões no orçamento. Ele diz que vamos chegar a desmatamento ilegal zero até 2030. E o desmatamento aumenta, ato contínuo", criticou.

Marina também chamou Jair Bolsonaro de "risco global duplo" não apenas por conta de suas ações na pandemia de covid-19, mas também por sua política deficiente de enfrentamento às queimadas na Amazônia.

Impeachment de Bolsonaro

A ex-ministra defendeu que o presidente deve passar por um processo de impeachment o quanto antes. Para ela, não é possível esperar as eleições de 2022 para retirá-lo do poder.

O tempo para afastar Bolsonaro diante de todas atrocidades é agora, em qualquer tempo. Estamos perdendo tantas vidas em função de uma política genocida. (...) Estamos verificando o que está acontecendo com a destruição dos patrimônios ambientais. (...) Já era para ele ter sido interditado.
Marina Silva

Na visão de Marina, o comportamento do presidente, que estimula aglomerações como a do domingo passado (23), com motoqueiros do Rio de Janeiro, desincentiva a população a se prevenir contra a covid —algo que ele não faz em visita a outros países.

"Ele vai para o Equador e usa máscara para não contaminar o povo equatoriano. E aqui não usa, desincentiva para contaminar o povo brasileiro. É um ato de desrespeito com a dignidade das pessoas", disse.

Lira e o papel do Centrão

Marina ainda criticou o papel do Centrão e de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Lira (PP-AL), ex e atual presidente da Câmara, por não terem dado início a algum dos processos de impeachment que estiveram ou estão em suas mãos.

"Um dos problemas do Rodrigo Maia é não ter colocado em apreciação pedidos de impeachment. Agora temos o Centrão, que está no poder com a expectativa de continuar no poder. Se perceber que Bolsonaro vai continuar derretendo, é possível que repita o mesmo que fizeram no passado. [Arthur] Lira era aliado da Dilma. Agora é aliado do Bolsonaro", destacou.

Ele [Lira] é especialista em dar apoio a todos governos. É o operador mor do Centrão pra poder ficar no ecossistema do poder, no direcionamento, como no caso do orçamento paralelo, em benefícios dos interesses eleitorais.
Marina Silva

A ex-ministra fez referência ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), integrante do Centrão que era da base aliada de Dilma mas em 2015 rompeu com o governo e deu início ao impeachment da petista no ano seguinte. Aliás, Lira foi por muito tempo aliado de Cunha.

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