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Conteúdo publicado há
1 mês

Bolsonaro, imunidade, asilos: veja frases de Osmar Terra na CPI da Covid

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 12h02Atualizada em 22/06/2021 17h41

O deputado Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), participa hoje da CPI da Covid. No Senado, até agora, o parlamentar já repetiu falas negacionistas, reconheceu erros em previsões e negou ter poder sobre o presidente.

Ao lado de nomes como o empresário Carlos Wizard, o ex-assessor especial da Presidência Arthur Weintraub e a médica Nise Yamaguchi, Terra é apontado por parte dos membros da CPI como um dos líderes do chamado "gabinete paralelo".

O gabinete, no caso, seria um grupo que, às margens do Ministério da Saúde, estaria aconselhando Bolsonaro sobre a pandemia com posições contrárias à ciência, com críticas às medidas de distanciamento social, defesa de um "tratamento precoce" contra a covid-19 etc.

Durante a gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, o médico se tornou um "ministro informal" de Bolsonaro em relação à pandemia, atuando como conselheiro do presidente e fazendo a ponte entre o Palácio do Planalto e movimentos como o "Médicos pela Vida".

Veja frases de Osmar Terra na CPI da Covid:

Imunidade de rebanho

Não existe nenhuma proposta aqui de deixar a população se contaminar livremente. Nunca se fez isso. A imunidade de rebanho é uma consequência. A imunidade de rebanho é como terminam todas as pandemias, é o resultado final.

A imunidade de rebanho se sustenta na ideia de que é possível atingir um ponto em que há uma quantidade suficiente de pessoas em determinada população que sejam imunes ao vírus, interrompendo assim a transmissão comunitária. No entanto, após mais de um ano de pandemia, a comunidade científica não sabe precisar a proporção da população que deve estar imunizada para que isso de fato aconteça. Cientistas defendem que o caminho da imunidade coletiva é a vacinação, e não a contaminação.

Críticas às medidas de distanciamento

Se trancar todo mundo em casa por 18 meses, as pessoas, em um, dois meses, vão morrer de fome. O mundo tem que funcionar para as pessoas se alimentarem, terem assistência médica, os serviços públicos mínimos, segurança, para terem as coisas... A indústria não pode parar.

Estudos publicados em revistas científicas de prestígio atestam que medidas de distanciamento e isolamento social funcionam para conter o vírus, entre elas o lockdown, que é a medida mais restritiva de isolamento.

Asilos

Eu quero chamar a atenção só para um dado aqui: se isolamento funcionasse, não morria ninguém em asilo. Os asilos foram lugar de maior número de mortes no ano de 2020: 40% das mortes. Nos Estados Unidos, 46% foram em asilo em 2020; 80% das mortes do Canadá; 70% na Suécia, que não fechou nada, orientou a lavar as mãos, guardar distância.

Terra não citou as fontes destes dados. O Wall Street Journal estimou, em junho do ano passado, que as mortes de moradores e funcionários de asilos representariam ao menos 40% dos óbitos por covid-19 nos EUA. Um artigo publicado por acadêmicos suecos diz que, em maio de 2020, as mortes em asilos representariam 70% dos óbitos por covid-19 no país, mas o estudo também diz que o contágio se facilita pelo fato de os funcionários de asilos servirem como ponte entre o ambiente externo e interno; e que os idosos, em altas proporções têm comorbidades como hipertensão e diabetes — ou seja, os idosos são mais frágeis e não ficam totalmente isolados em asilos. A cifra sobre o Canadá foi estimada pelo governo local em junho de 2020, mas um documento do próprio governo canadense recomendava que a resposta deveria ser reforçar a prevenção ao contágio em asilos junto com medidas de isolamento na sociedade mais ampla.

Relação com Bolsonaro

O presidente fala o que ele quer falar, o que ele entende. Eu não tenho poder sobre o presidente. 'O senhor vai falar isso ou aquilo': isso não existe. Se eu tivesse esse poder, eu seria o presidente e ele, deputado. Não tem cabimento uma coisa dessas, querer imputar um poder sobrenatural às pessoas.

Quando, de vez em quando, o presidente me pergunta ou eu acho que tenho que falar alguma coisa, eu falo.

O que eu posso dizer é que eu sou um deputado, senador [Randolfe Rodrigues], eu sou um deputado como outros. Já viu as fotos do presidente? Já viu o deputado Hélio [Lopes] quantas vezes está com ele? O Hélio visita o presidente muito mais do que eu. (...) Eu não vou ao Palácio da Alvorada, eu não tiro, eu não participo de lives com o presidente. (...) De vez em quando, eu falo com ele. Qual é o problema?

'Gabinete paralelo'

O presidente da República não pode fazer isso (ouvir médicos)? Ele pode! Isso não significa que tem gabinete paralelo, estruturas paralelas. Isso é uma falácia.

[Bolsonaro] Me ouviu algumas vezes e me perguntou algumas coisas em um ano e meio. Não tem um gabinete, senador [Randolfe Rodrigues], isso é o que eu quero dizer. Não existe um lugar que as pessoas se reúnem para influenciá-lo. Ele podia até ter criado isso, se ele quisesse. Ele não criou. Ele ouve um, ele ouve um, ouve outro. É isso que ele faz.

Isolamento vertical

A primeira vez que ouvi a palavra 'quarentena vertical' foi do presidente. Eu nunca falei isso, nunca vi isso. Ele cunhou esse termo, é da cabeça dele. Ele tem uma visão, que nós coincidimos em alguns pontos — muitos pontos, aliás —, que quarentena e lockdown não funcionam, que destruía a economia do país para salvar vidas, e não salvou.

Dentro das casas

O senhor (senador Renan Calheiros, MDB-AL, relator da CPI) acha que tem algum isolamento social na Rocinha (comunidade no Rio de Janeiro), tem algum isolamento social na favela do Alemão (também no Rio)? Isso aí é um mundo, é uma teoria que, na prática, é outra. Na prática, é outra realidade. É isso que eu critico desde o início.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.