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1 mês

Moraes determina prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos

Anna Satie, Nathan Lopes, Rafael Neves e Weudson Ribeiro

Do UOL, em São Paulo e colaboração para o UOL, em Brasília

21/10/2021 15h06

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão preventiva do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de duas investigações na Corte. A ordem de prisão, que tem prazo indeterminado, foi emitida no último dia 5 e veio a público hoje.

Moraes agiu a pedido da PF (Polícia Federal) no inquérito das milícias digitais, que apura a atuação de grupos na internet contra a democracia e as instituições. Santos, que está nos Estados Unidos há mais de um ano, será incluído na difusão vermelha da Interpol, voltada a localizar foragidos no exterior.

Moraes também acionou o Ministério da Justiça e a embaixada do Brasil nos EUA para que o influenciador, dono do site Terça Livre, seja extraditado. O UOL perguntou ao ministério se já foi notificado do pedido e que providências serão tomadas, mas ainda não houve resposta.

O pedido de prisão foi feito pela PF no dia 16 de setembro, com o argumento de que Santos "prossegue praticando crimes" mesmo depois de deixar o Brasil. Além dos crimes ligados à comunicação, Santos é suspeito de ter usado seus canais para a prática de lavagem de dinheiro.

O investigado continua a incorrer nas mesmas condutas investigadas, ou seja, permanece a divulgar conteúdo criminoso, por meio de redes sociais, com objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização; gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira promovendo o descrédito dos poderes da república, além de outros crimes, e com a finalidade principal de arrecadar valores"
Ministro Alexandre de Moraes, do STF

Além de ordenar a prisão e a extradição, o ministro do STF mandou bloquear todas as contas bancárias do influenciador e qualquer remessa de dinheiro a ele no exterior. No mesmo despacho, Moraes determinou a suspensão de pagamento aos canais dele nas plataformas YouTube, Twitch.TV, Twitter, Instagram e Facebook.

Allan dos Santos foi uma das 66 pessoas indiciadas no relatório final da CPI da Covid. Apontado como propagador de fake news prejudiciais no combate à pandemia, Santos foi enquadrado no relatório por incitação ao crime, que prevê de três a seis meses de prisão e multa.

A ordem de Moraes pela prisão do blogueiro foi comemorada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid. No Twitter, o parlamentar escreveu que a prática de fake news "também matou muitos brasileiros". O UOL tenta contato com a defesa de Santos.

As investigações

A PF investiga Santos no inquérito das fake news, que corre desde 2019, e o das milícias digitais, aberto em julho para apurar a existência de uma organização criminosa que visa atentar contra a democracia.

Este último foi aberto após o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, e foi prorrogado neste mês por mais 90 dias. Além de prolongar as investigações, Moraes também determinou a suspensão da conta de Santos no Twitter.

As investigações, segundo Moraes, reúnem "fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político" para atentar contra a democracia e o Estado de Direito.

No começo do mês, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que Santos usou uma estagiária do gabinete do ministro Ricardo Lewandowski como informante.

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