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MBL acerta filiação ao Podemos e cria palanque para Moro em SP

Com a filiação do MBL ao Podemos, a candidatura de Moro (à esquerda na foto) terá a campanha de Arthur do Val ao governo paulista como palanque em São Paulo - 21.dez.2021 - Reprodução/Twitter/SF_Moro
Com a filiação do MBL ao Podemos, a candidatura de Moro (à esquerda na foto) terá a campanha de Arthur do Val ao governo paulista como palanque em São Paulo Imagem: 21.dez.2021 - Reprodução/Twitter/SF_Moro

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

18/01/2022 04h00

Lideranças do MBL (Movimento Brasil Livre) vão se filiar ao Podemos no dia 26 de janeiro. Com isso, o grupo estará no mesmo partido do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato a presidente da República. A ida ao partido também contará com uma "carta de independência" entre o Podemos e o MBL.

No ato de filiação, além dos membros do MBL, espera-se a participação de Moro e de lideranças do Podemos. Assim, o grupo deixará o Patriota, que tem a maior parte de seus integrantes. Membros que estão em outros partidos, como PSL, Democratas e Novo, também deverão migrar para a legenda de Moro. Alguns deles, porém, precisarão esperar a abertura da janela partidária, em abril, para mudar de sigla.

Pelo Podemos, o MBL terá a candidatura ao governo de São Paulo, encabeçada pelo deputado estadual Arthur do Val (Patriota-SP). Na disputa por uma vaga no Senado, o grupo deverá ter o deputado estadual Heni Ozi Cukier (Novo). Com eles, o grupo formará o palanque no estado de São Paulo para Moro na disputa pelo Planalto.

O grupo deve confirmar a ida para o Podemos mais para o final desta semana, provavelmente na quinta-feira (20). Porém, lideranças do MBL e do próprio partido já garantem que o acerto foi sacramentado.

"A gente deve caminhar com o Podemos. As conversas têm evoluído bastante nos últimos dias", diz o vereador paulistano Rubinho Nunes (PSL), um dos articuladores da filiação.

De acordo com ele, o "apoio incondicional à terceira via" foi um dos fatores que fez o MBL optar pelo Podemos, além, claro, da presença de Moro, figura sempre exaltada pelo grupo em razão de sua atuação na Operação Lava Jato.

"Carta de independência"

Outro ponto foi a garantia de "independência" para o MBL no partido. "A condição para a nossa filiação é justamente que a gente tenha liberdade para atuar e que a gente não fique adstrito, refém da decisão do partido", diz Nunes.

Segundo ele, no ato de filiação, inclusive, uma "carta de independência vai ser firmada". "A gente fica muito tranquilo com a nossa independência de atuação."

Independente da sigla, todos os membros do MBL são do MBL, não do partido. O partido é um meio que a gente utiliza para disputar as eleições
Rubinho Nunes, vereador de São Paulo

Mudanças do MBL

O MBL já teve seus integrantes filiados ao Democratas, mas, após a expulsão de Arthur do Val, houve uma migração para o Patriota. Deste, uma parte saiu no ano passado em razão de uma tentativa, da antiga direção do partido, de filiar o presidente Jair Bolsonaro (PL). O MBL chegou a negociar com o União Brasil, partido que será criado a partir da fusão entre PSL e Democratas, mas, no fim, a opção foi pelo Podemos.

A ida ao Podemos já deve causar outras mudanças antes mesmo da eleição. Nunes, que irá disputar uma vaga de deputado federal em outubro, deve assumir a liderança do partido na Câmara Municipal de São Paulo.

E se o Podemos mudar?

Hoje Podemos, o partido já foi PTN e esteve aliado ao PT e ao PSDB. Nunes diz não acreditar em novas mudanças de rumo no partido, avaliando que a legenda teve uma "atuação bastante coerente ao longo dos anos, principalmente durante os últimos quatro". "Acredito que vá haver a manutenção dessa linha."

O Podemos atualmente é uma espécie de "partido da Lava Jato". Além de Moro, também ingressou em seus quadros o ex-procurador Deltan Dallagnol, que foi chefe da operação no MPF (Ministério Público Federal), em Curitiba. Além deles, há o senador paranaense Alvaro Dias, um dos incentivadores da entrada da dupla no partido e que levantou a bandeira da Lava Jato na última campanha presidencial.

A ida ao Podemos pode diminuir a possibilidade de aliança entre o partido e o União Brasil - legenda que, em São Paulo, apoiará a candidatura do atual vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM). Ele, inclusive, disputa com o MDB a indicação para vice na chapa ou da vaga ao Senado.

A chance menor de aliança, na visão de Nunes, não seria um empecilho. "A gente, em 2020, conseguiu que o Arthur fizesse 10% de votos na cidade de São Paulo [eleição para a prefeitura] em um partido bem pequeno, que é o Patriota", diz. "O Podemos tem exposição, garante que o Arthur esteja em debates. Isso nos posiciona muito bem."

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