PUBLICIDADE
Topo

Política

Lula diz que Bolsonaro é fascista e que governo atual destruiu instituições

Igor Mello

Do UOL, no Rio

26/03/2022 16h57Atualizada em 26/03/2022 21h53

Em um discurso com ares de campanha eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teceu duras críticas hoje (26) ao presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o Festival Vermelho, evento em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, que comemora o centenário do PCdoB (Partido Comunista do Brasil).

Lula entrou no palco às 16h30 acompanhado da noiva Janja da Silva. Ele foi ovacionado pelo público e disputado pelos políticos presentes para fotos. Por volta das 18h10, o petista iniciou um discurso de 48 minutos sem poupar palavras para falar de Bolsonaro, a quem chamou de "fascista" e "psicopata".

"Esse fascista que está governando esse país não só não fez nada pelo povo brasileiro, como destruiu as instituições que nós criamos e os programas sociais", disse.

Lula também classificou o atual presidente como alguém que não conversa com a classe trabalhadora do Brasil, lembrou do caso das rachadinhas envolvendo o nome dele e da família e do caso Queiroz.

"O cara nunca se reuniu com os sindicatos, com os trabalhadores, com as mulheres. Esse cara só se reúne com os milicianos dele", afirmou.

"Até agora o seu Queiroz não foi prestar depoimento. Até agora a rachadinha não foi investigada. Criou um sigilo de 100 anos sobre o processo os Pazuello, que colocou gente para roubar vacina. Ah, mas esse sigilo vai acabar, porque quem não deve não teme", complementou Lula. Ele disse que Bolsonaro tem "medo" e que "faria de tudo" para não ser preso.

"Esse comportamento de psicopata dele temos que mudar, porque esse povo não gosta de ódio e mentira. São sete mentiras por dia, segundo os jornais"

O ex-presidente também criticou a gestão do governo federal em relação aos preços dos combustíveis e dos alimentos, prometendo "abrasileirar" as tarifas no Brasil. "Se preparem, brasileiros e brasileiros, que nós vamos abrasileirar o preço da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha nesse país", afirmou.

"Bolsonaro, pode se preparar que nós estamos chegando", disse.

'Lula paz e amor'

Lula negou que tivesse qualquer "raiva ou ressentimento" dos julgamentos envolvendo seu nome e da prisão na carceragem da Polícia Federal, mas disse que "não esqueceria a putaria que fizeram com ele". Ele também lembrou dos anos em que foi presidente e projetou o que faria se ganhasse as eleições em 2022.

"Sei que não posso governar colocando meu problema como prioridade. Meu problema está do lado. Eu tenho a convicção e a certeza que a gente vai recuperar esse país".

Segundo o ex-presidente, o primeiro ato planejado por ele é convocar os 27 governadores para Brasília e abrir uma conversa sobre como recuperar o Brasil.

"O Lula que está falando com você não é o Lula com ódio, é o Lula paz e amor. Quando eu era presidente dizia que não era possível governar com a razão, tem que governar com o coração. Vou conversar com todo mundo. Não se preocupe banqueiro e empresário. O que eu sei que não posso perder muito tempo porque vocês nunca vão votar em mim. Quem vai votar em mim é o povo trabalhador", disse.

Lula também falou do orçamento secreto e o chamou de "maior vergonha deste país". "Se não fosse vergonha não era secreto. Ninguém pode saber o deputado que recebeu, o que ele fez? Por que o presidente da Câmara e os deputados não abrem? Se é secreto tem safadeza", questionou.

Apoios de PSB, PSOL e PCdoB

Um dos governadores presentes no evento foi Paulo Câmara, de Pernambuco, que também é vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro.

Na sua fala, ele reforçou o apoio da legenda ao PT nas eleições. "O PSB vai se juntar a todas as forças progressistas para a gente eleger o presidente Lula e reconstruir o Brasil", disse. Câmara também afirmou que o PSB está "alinhado, determinado e consciente" do papel que o campo progressista terá em 2022.Há menos de uma semana, a legenda se tornou a nova casa do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, possível vice do petista na disputa eleitoral.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, disse que podia "antecipar" que o partido seguiria com o PT já no primeiro turno. A legenda ainda não formalizou apoio a Lula. Ele aproveitou para mandar um recado sobre alianças com partidos e políticos de centro-direita. "Não vai dar para confiar em quem apoiou o impeachment, em quem bateu palmas quando esse homem estava preso", disse.

Já a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu uma coligação para além da esquerda. "Vai ser um processo duro, difícil, e essa unidade tem que ser nossa, tem que ser além de nós, tem que ser frente ampla", afirmou.

Missão no Rio

Lula fica no Rio até a próxima quarta-feira (30), quando participa de um evento do Grupo de Puebla na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Durante a permanência na cidade, o petista irá se reunir com lideranças políticas e visitará amigos, como a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que passou recentemente por uma cirurgia.

Na última pesquisa do Datafolha, divulgada na última quinta-feira (24), Lula lidera com 43% das intenções de voto, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) registrou 26%.

Em sua visita ao Rio, Lula pretende pacificar a aliança que estará em seu palanque no estado. O petista apoia a candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) ao governo fluminense, mas há um impasse na coligação em torno da vaga ao Senado: o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e o deputado estadual André Ceciliano (PT-RJ), presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) disputam a vaga.

Veja alguns dos políticos presentes no evento de hoje:

  • Marcelo Freixo (PSB-RJ), pré-candidato ao governo do Rio
  • Manuela D'ávila (PCdoB-RS), candidata a vice-presidente na chapa petista em 2018
  • Jandira Feghali (PCDOB-RJ), deputada federal
  • Talíria Perrone (PSOL-RJ), deputada federal
  • Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente do PT
  • Lindbergh Farias (PT-RJ), vereador e ex-senador
  • Alessandro Molon (PSB-RJ), deputado federal
  • Aloísio Mercadante, ex-ministro
  • Rodrigo Neves (PDT-RJ), pré-candidato a governador
  • Tainá de Paula (PT-RJ), vereadora
  • André Ceciliano (PT-RJ), presidente da Alerj

Política