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Coronavírus

Doria nega orientação de comitê, mas aceita endurecimento do Plano SP

20.01.2020 - Coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
20.01.2020 - Coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/01/2021 18h24

Diante da alta constante de casos e internações no estado de São Paulo, os médicos que integram o Centro de Contingência ao Coronavírus sugeriram ao governador, João Doria (PSDB), ao longo das duas últimas semanas mais rigidez nas restrições de quarentena, mas as orientações não foram acatadas integralmente.

A apuração do UOL revela que a ideia proposta pelo comitê ao longo da semana era que todas as regiões do estado fossem direto para a fase vermelha, a mais restritiva do Plano São Paulo, até a próxima reclassificação do programa, marcada para o dia 5 de fevereiro. Porém, a ação foi considerada "excessiva" pelas autoridades paulistas.

O comitê fez a sugestão após ter analisado dados do sistema de saúde de lugares da Europa para entender em qual momento cada país estabeleceu um sistema mais rígido de quarentena, como o lockdown.

Foram comparadas as situações na Itália, Alemanha, Reino Unido, Áustria, Portugal, Espanha e França. Segundo os médicos, não há um padrão de cenário da pandemia entre as regiões do estado. Em comparação com os europeus, o estudo revelou que há regiões paulistas com índices piores, iguais, mas poucas regiões com números melhores. Sendo assim, conforme narram os médicos, o ideal seria padronizar os estados em fase vermelha.

Para colocar todo o estado em restrição, seriam necessárias alterações nas métricas do Plano São Paulo, para que os parâmetros de regressão de fase ficassem mais rigorosos. Esses parâmetros já haviam sido enrijecidos uma vez após uma análise de parte do comitê.

As implicações econômicas de manter o comércio não essencial fechado durante duas semanas demoveram o governo do estado de acatar a ideia.

Para dar fôlego mínimo ao comércio, conforme relatam as fontes ouvidas pela reportagem, a decisão foi por manter a métrica atual do plano, que permite que algumas regiões ainda se mantenham na fase laranja por mais uma semana. Por outro lado, endurecer na parte da noite durante os dias da semana e com fechamento total nos próximos dois finais de semana.

A principal preocupação dos médicos do comitê são os bares, onde uma boa parte da população se aglomera aos finais de semana ou ao fim do dia durante a semana. O fato de conseguir evitar que as pessoas se aglomerem sem máscara nesses ambientes já é considerado um passo importante pelos infectologistas e epidemiologistas.

Segundo o entendimento dos médicos, nos bares, os frequentadores consumem comidas e bebidas, sem máscara, o que aumenta consideravelmente a chance de transmissão da covid-19.

Capital na fase laranja e 6 regiões na vermelha

Hoje, Doria anunciou que, a partir de segunda-feira (25), seis regiões do estado estarão na fase vermelha em tempo integral, o que permite apenas o funcionamento de atividades essenciais.

A capital, que integra a região da Grande São Paulo e passará da fase amarela para a laranja, terá restrições como a proibição de atendimento presencial em bares e o funcionamento de restaurantes apenas até as 20h.

Além disso, a partir da semana que vem, valerão para todo o estado as regras da fase vermelha entre as 20h e 6h e aos fins de semana, até o dia 7 de fevereiro.

Uma morte a cada seis minutos

Com um acréscimo de quase mil pacientes internados por covid-19 nas últimas duas semanas, o estado vive uma situação alarmante nos números de ocupação de leitos. O risco de colapso também vem acompanhado por números impressionantes quanto a casos e mortes causadas pelo novo coronavírus.

João Gabbardo, coordenador-executivo do Centro de Contingência de São Paulo, diz que a abertura de novos leitos é "insuficiente" neste momento, em que morre uma pessoa por covid-19 a cada seis minutos.

"Muita gente faz conta fúnebre de que abrindo leitos o problema está resolvido. Que devemos trabalhar olhando a oferta de leitos. Isso é insuficiente. Temos que dar ênfase também para a transmissibilidade da doença", disse Gabbardo.

A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que, se não fosse tomada uma atitude para restringir atividades não essenciais, poderia haver colapso em quatro semanas.

Temos o dever de adotar novas medidas. Sem medidas restritivas, com esse comportamento [da população] das últimas semanas, teríamos em 28 dias o esgotamento dos leitos de UTI de covid-19 no estado. É isso que estamos evitando aqui.
Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico

A alta dos números já havia sido prevista por especialistas no ano passado, por causa das aglomerações das festas de fim de ano. O governo paulista chegou a proibir festas de Réveillon e restringiu a mobilidade nas últimas semanas de dezembro, mas não foi suficiente.

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