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10 meses

Bolsonaro diz que não é negacionista, nem contra vacinas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue com a mudança de discurso sobre o enfrentamento à pandemia - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue com a mudança de discurso sobre o enfrentamento à pandemia Imagem: Adriano Machado/Reuters

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

10/03/2021 14h15Atualizada em 10/03/2021 14h32

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (10) que comprou a vacina em agosto do ano passado, quando assinou Medida Provisória (MP) que abriu crédito para 100 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca. Por isso, alegou que não é negacionista e nem contra as vacinas.

A quantidade é suficiente para 47,5 milhões de pessoas — porque há uma perda operacional —, o equivalente a 23% da população brasileira, de 210 milhões de habitantes.

O discurso de Bolsonaro de hoje dá sequência à mudança de declarações e atitudes que o presidente e sua gestão adotaram em 2020 em relação aos imunizantes.

Ano passado, Bolsonaro era crítico das vacinas e desautorizava compras em público. Agora, passou a mencionar os imunizantes de maneira mais frequente e positiva em 2021 enquanto seu governo avança na compra de mais doses.

Na manhã de hoje, em conversa com apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que não é negacionista e que não é contrário às vacinas. Ele e o ministro das Comunicações, Fábio Faria, destacaram que a MP 994 foi assinada em 6 de agosto do ano passado.

"O pessoal fala que eu sou negacionista", reclamou o presidente nesta quarta-feira. "Em agosto do ano passado, eu comprei a vacina." A vacina da AstraZeneca é produzida em parceria com a Universidade de Oxford e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em 19 de outubro, o Ministério da Saúde deu passo à frente. A pasta negociou a aquisição de 46 milhões da CoronaVac, vacina do laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

No entanto, em 21 de outubro, depois das duas compras, Bolsonaro disse que "toda e qualquer vacina está descartada". Ele disse que "tem que ter uma validade da Saúde e uma certificação por parte da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] também". Ou seja, só poderiam haver compras — passo anterior à aplicação — se houvesse a liberação da agência.

No mesmo dia 21 de outubro, o presidente desautorizou a compra da CoronaVac, chamando-a de vacina "chinesa".

Presidente destacou liberação de recursos

Hoje, na conversa com os apoiadores, também destacou que, em dezembro, o governo liberou R$ 20 bilhões para compra de várias vacinas. "Em dezembro, reservei R$ 20 bilhões para vacina. Agora, o mundo não tem vacina", afirmou o presidente no Alvorada nesta manhã.

Isso foi feito. À época, ao anunciar a medida, Bolsonaro afirmou que as pessoas teriam que assinar um documento para tomar os imunizantes. "E detalhe, vocês vão ter que assinar um termo de responsabilidade, porque a Pfizer, por exemplo, é bem clara no contrato: 'Nós não nos responsabilizamos por efeitos colaterais'", afirmou em 15 de dezembro. Também alegou que alguém poderia virar um "jacaré" com o imunizante.

Compra da vacina da Pfizer demorou meses

A aquisição vacina da Pfizer foi uma queda de braço no governo. O laboratório ofereceu 70 milhões de doses ao governo em julho de 2020, com 500 mil a serem entregue em dezembro do ano passado.

Mas a gestão Bolsonaro rejeitou a proposta alegando a responsabilidade por possíveis efeitos colaterais, embora tenha aceito as mesmas condições da AstraZeneca antes.

Apenas em 3 de março, o governo decidiu comprar o produto da Pfizer e também do laboratório Janssen — alegando que, somente a partir de então, um projeto de lei protegeria gestores na negociação.

Para evitar danos à popularidade, Bolsonaro fez mais um gesto. Ele se reuniu com o presidente do laboratório Pfizer e divulgou um trecho do encontro. Na parte liberada, o presidente reconheceu "agressividade que o vírus tem se apresentado no Brasil".

Hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso em que acusou Bolsonaro de priorizar armas, em vez de vacinas e empregos. O presidente não comentou, mas, minutos depois, distribuiu um vídeo em seu canal no aplicativo Telegram tratando da chegada de imunizantes ao país.

Em 2021, o Ministério da Saúde acelerou os acordos de compras de vacinas. Além de Pfizer e Janssen, acertou com a Moderna e com a Covaxin. Também negocia com a União Química, que produz a Sputink V no Brasil.

Porém, a previsão de chegada dos imunizantes é lenta. Isso depende da capacidade fabricação dos laboratórios e da procura mundial por vacinas.

Hoje, três imunizantes são autorizados pela Anvisa para serem aplicados no Brasil, o da AstraZeneca, a CoronaVac e o da Pfizer.

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