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Após convocação sobre vacinação infantil, Queiroga diz: 'Preocupação zero'

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diz que não está preocupado com convocação do Senado para que ele explique atraso na vacinação infantil - Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diz que não está preocupado com convocação do Senado para que ele explique atraso na vacinação infantil Imagem: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

08/02/2022 07h58Atualizada em 08/02/2022 08h51

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que sua preocupação é "zero" após a convocação da Comissão de Direitos Humanos do Senado para que ele explique o atraso na vacinação infantil contra covid-19.

"Preocupação zero com as convocações, até porque o que eu estou fazendo no Ministério da Saúde, a população brasileira já conhece. Comandamos uma das maiores campanhas de vacinação do mundo", disse Queiroga em conversa com jornalistas ontem em Brasília.

O ministro também disse que presta satisfações de maneira imediata ao presidente Jair Bolsonaro (PL). "[A convocação] faz parte do processo democrático. Estou à disposição da sociedade brasileira, das suas instituições, dos Três Poderes".

Nas redes sociais, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o atraso para início da vacinação infantil trouxe "consequências trágicas ao Brasil". O senador Omar Aziz (PSD-AM) também criticou a postura do ministro Queiroga.

"Se prestar atenção, ele diz que a vacina foi feita em tempo recorde, colocando dúvida na eficácia da vacina", escreveu Aziz. "O ministro não pode ser dúbio".

Segundo Aziz, esse tipo de declaração coloca dúvida na cabeça dos pais.

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, será convidado a participar da comissão.

Queiroga diz que vacinas foram desenvolvidas 'em curto espaço de tempo'; pesquisadores explicam

Em meio a pressão da pandemia, farmacêuticas aceleraram os esforços para o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19. O imunizante da Pfizer/BioNTech, por exemplo, foi desenvolvido em apenas 10 meses enquanto doenças como a malária, a dengue, cujo vírus responsável foi identificado há 113 anos, ainda não têm vacina.

A rapidez para o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 fez com que muitas pessoas questionassem a sua segurança —inclusive o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pesquisadores, no entanto, ressaltam que nenhuma etapa foi pulada no processo. "É preciso lembrar que as pesquisas que já estavam sendo feitas desde as epidemias de SARS e MERS, o que contribuiu para esses resultados. Agora, por causa da pandemia, as pesquisas conseguiram mais recursos, mais financiamento e mais apoio de governos e das empresas farmacêuticas", disse a pesquisadora Samantha Vanderslott em entrevista à BBC News.

Além da Anvisa, outros órgãos de saúde apoiam a vacinação contra a covid-19, em adultos e crianças, como o CDC dos Estados Unidos e a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para especialistas, a imunização é a principal arma para controlar a pandemia.

Saúde demorou 3 semanas para anunciar vacina em crianças

A vacina pediátrica da Pfizer foi aprovada pela Anvisa em 16 de dezembro de 2021, mas o Ministério da Saúde resolveu adiar a decisão de incluí-las na campanha nacional até o resultado de uma consulta pública sobre o tema.

Na época, o ministro Queiroga dizia que a vacinação infantil não era "consensual" e merecia mais discussões mesmo após o aval da Anvisa, órgão competente para a tomada de decisão. A agência analisou um estudo feito com 2.250 crianças que comprovou que o imunizante da Pfizer é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos.

No caso da CoronaVac, a decisão foi a mesma. Técnicos da agência chegaram a se reunir com infectologistas e pesquisadores do Chile, país onde a vacina já é aplicada em crianças.

Em 20 de dezembro, o ministro da Saúde disse que a "pressa é inimiga da perfeição" ao tratar da vacinação infantil e afirmou que o assunto precisava ser tratado "sem açodamento".

Na consulta pública feita pelo Ministério da Saúde, que recebeu críticas de sociedades médicas e científicas, a maioria dos participantes rejeitou a obrigatoriedade de prescrição médica para vacinar crianças —algo que não é exigido em outras campanhas, como a da gripe.

Na contramão da ciência, o presidente Jair Bolsonaro é contra a vacinação infantil contra a covid-19. Ele já ameaçou divulgar o nome de técnicos da Anvisa responsáveis por aprovar o uso do imunizante infantil e também disse que a atitude da Anvisa é "inacreditável".