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Turistas pagarão o dobro do preço do metrô durante Jogos Olímpicos de Paris 2024

Os turistas que vierem a Paris para os Jogos Olímpicos de 2024 não vão pagar caro apenas pelo alojamento e pelas entradas para as competições. O sindicato dos transportes da região de Paris anunciou na segunda-feira (27) que a tarifa do metrô quase duplicará durante os meses de julho e agosto. O objetivo do aumento é financiar os custos associados ao transporte adicional durante a Olimpíada.

O bilhete unitário de metrô, que custa atualmente 2,10 euros (R$ 11,24), passará a custar 4 euros (R$ 21,40) e o pacote de 10 passes passará de 16,90 euros (R$ 90,42) a 32 euros (R$ 171), de acordo com a presidente da Île-de-France Mobilités (IDFM), empresa responsável pelos transportes na região parisiense, Valérie Pécresse, num vídeo publicado no X (antigo Twitter).

Já os pacotes mensais e anuais, normalmente destinados aos moradores da cidade, "não serão afetados por estes aumentos", que durarão de 20 de julho a 8 de setembro, disse Pécresse, que também anunciou o lançamento de um pacote especial para turistas.

"Por ocasião dos Jogos Olímpicos", "criaremos um novo passe, o Passe Paris 2024, que permitirá aos visitantes circular por toda a Île-de-France (Paris e região)", indicou no mesmo vídeo.

Este novo passe, que estará disponível somente durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, "custará 16 euros (R$ 85,61) por dia", com taxa decrescente de acordo com o número de dias, e "70 euros (R$ 374) por semana". O Passe Paris 2024 incluirá os trajetos para os aeroportos.

"É o preço certo", disse Pécresse, para quem "não há dúvida de que os residentes da região parisiense pagarão" o custo adicional - estimado em 200 milhões de euros - dos Jogos Olímpicos.

Polêmica que não ajuda

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, causou indignação ao dizer, na semana passada, que "não vamos estar prontos" se referindo ao transporte público da capital francesa na época dos Jogos Olímpicos de 2024, citando um número e frequência de trens insuficiente em certos lugares.

A mobilidade na região de Paris durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2024 constitui um desafio para as autoridades, "porque assumimos o compromisso de que 100% do acesso aos locais de competição possa ser feito por meio de transportes públicos", sublinhou o ministro delegado responsável pelos Transportes, Clément Beaune, no final de outubro.

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"Honestamente existem pontos de fragilidade, conhecemos nossa rede e infelizmente as linhas de trens suburbanos não serão melhoradas daqui até lá. Mas não tenho certeza que esta polêmica ajude a melhorar as coisas", diz Marc Pélissier, presidente da Associação dos Usuários dos Transportes da Île de France.

Além disso, a rede de transportes da região parisiense nunca conseguiu se reestabelecer do choque financeiro representado pela pandemia de Covid-19. A dívida da Île de France Mobilités alcançava, em abril deste ano, aproximadamente 9 bilhões de euros, quase equivalente a seu orçamento total para o ano de 2023, que é de pouco mais de 11 bilhões de euros.

Turista paga a conta

Espera-se que quase 15 milhões de espectadores e pessoas credenciadas participem dos eventos, a grande maioria dos quais acontecerá em Paris e sua região.

"O custo do serviço de transportes relacionado aos Jogos Olímpicos é de 200 milhões de euros aproximadamente. Como o Estado e a região não encontraram meios de financiar este serviço especial ele será assumido em grande parte pelos turistas dos Jogos Olímpicos", diz Pélissier.

Ele afirma que o aumento não estava no orçamento provisório dos jogos. "Lembramos que em um dado momento até falaram de transportes públicos gratuitos para os Jogos Olímpicos, durante a candidatura em 2017, mas infelizmente hoje os problemas financeiros nos pegaram", lamenta.

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Para ele, esta é uma solução que causa "menos mal", tomando em conta as restrições financeiras. "É verdade que os planos anuais ou mensais serão isentos, mas os outros, inclusive os parisienses que compram passagens ocasionalmente ou quem pagam por semana, estes vão pagar por este aumento das tarifas por várias semanas", diz.

"Será necessário informar os parisienses para que antecipem as compras das passagens para evitar o aumento", sugere. Ele lembra que este será um verão atípico, porque normalmente os meses de férias na França, julho e agosto, são usados para a realização da manutenção dos trens e ferrovias, visto a diminuição de passageiros. Este ano, ao contrário, mais trens, ônibus e metrôs serão colocados à disposição dos visitantes. "Essa oferta melhorada nos dá ideias de que é possível melhorar o serviço fora do período dos Jogos Olímpicos", observa.

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