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A jornalista Carla Bigatto conduz com analistas um papo sobre temas que dominam a pauta política.


Baixo Clero #67: Maradona, racismo, pesquisas e eleições no Brasil dos radicalismos

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Do UOL, em São Paulo

26/11/2020 18h51

Baixo Clero, o podcast de política do UOL, discute hoje o emocionante adeus do mundo do esporte a Diego Armando Maradona, que morreu ontem após uma parada cardíaca aos 60 anos. Na opinião da colunista do UOL, Carolina Trevisan, o modo como "escancarava'' suas opiniões evoca o papel do futebol para entender certas questões políticas.

"Eu prefiro essa paixão que o argentino demonstrou por um ídolo, que era o Maradona, do que uma passividade diante das injustiças do país. O futebol é muito revelador da sua sociedade, ao mesmo tempo que ele mostra essas desigualdades, mostra o machismo, mostra a homofobia em campo. Ele também aliena, e pode fazer com que as pessoas dialoguem pouco", disse Trevisan (Ouça a partir do minuto 5:36)

O velório de Diego Armando Maradona aconteceu na Casa Rosada, sede do governo argentino, e foi aberto ao público. Foi a primeira vez, em dez anos, que o local foi usado para velório.

"Gosto quando o futebol tem um pouco mais de política, por que ultimamente os jogadores e esses ídolos que nós temos atualmente não têm falado disso. A gente esqueceu Garrincha. A democracia corinthiana foi o último grande movimento que envolveu o futebol a favor da democracia, que era com Sócrates. E o Casagrande é um resistente, que continua falando sobre isso. Seria importante retomar essa dimensão política também com esses ídolos. Futebol seria uma ferramenta para falarmos de muitas coisas", disse Trevisan. (Ouça a partir do minuto 06:38)

Diego Schelp, também colunista do UOL, lembra uma característica interessante sobre a cultura argentina. 'A gente precisa lembrar que os argentinos adoram um morto famoso", brincou no início do episódio, apresentado por Carla Bigatto.

Schelp fez referência a uma expressão cunhada pelo escritor Tomás Eloy Martínez: a necrofilia política. (Ouça a partir do minuto 1:49)

Schelp deu exemplos envolvendo figuras como Néstor Carlos Kirchner e Juan Domingo Perón, ex-presidentes argentinos.

"Juan Domingo Perón, por exemplo, antigo presidente argentino, um ídolo e que dá nome a um movimento político que pega grande parte dos presidentes posteriores, morreu em 1974, em 1977 o túmulo dele foi violado. Para quê? Cortaram as mãos do Perón e roubaram as mãos do Perón. Até hoje não se sabe quem fez isso e porquê, mas existem teorias malucas, como a de que os ladrões queriam as digitais dele para abrir um cofre", disse Schelp. (Ouça a partir do minuto 2:26)

"São apenas algumas histórias da necrofilia argentina, para mostrar que o Alberto Fernández e o uso político da morte de Maradona não é nada perto dessas outras histórias", disse Schelp. (Ouça a partir do minuto 04:08)

Os colunistas discutem ainda o assassinato de João Alberto, morto após ser espancado por seguranças do Carrefour, o debate antirracista que expôs a falta de projetos dos candidatos à Prefeitura no segundo turno e o cenário das eleições municipais, incluindo aqui os ataques machistas à candidata Manuela D'Ávila e as análises dos últimos números da corrida para a prefeitura de São Paulo.

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