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Sem regulação nas indústrias, acidentes de trabalho se intensificam em Bangladesh

Mulher se desespera após confirmação de morte de parente, que foi encontrado embaixo dos escombros de prédio de oito andares. O imóvel desabou em 24 de abril em Savar, nos arredores de Dacca (Bangladesh) - Munir uz Zaman/AFP
Mulher se desespera após confirmação de morte de parente, que foi encontrado embaixo dos escombros de prédio de oito andares. O imóvel desabou em 24 de abril em Savar, nos arredores de Dacca (Bangladesh) Imagem: Munir uz Zaman/AFP

06/05/2013 00h01

De novo as mesmas imagens lacerantes de cadáveres e escombros. E, de novo, em Bangladesh. Há centenas de desaparecidos. A maioria eram trabalhadores das fábricas de roupas destinadas a companhias da Europa e Estados Unidos. Seus gerentes os obrigaram a entrar apesar das rachaduras que haviam aparecido repentinamente no edifício. A negligência e a falta de regulação resultam em acidentes contínuos neste tipo de fábrica. Há cinco meses, mais de cem pessoas morreram num incêndio em outra fábrica. Mas desta vez as dimensões da tragédia colocaram a indústria têxtil globalizada no alvo.  

Bangladesh se transformou no destino favorito para as grandes companhias de moda, desbancando a China e o Vietnã. O motivo é que seus salários estão entre os mais baixos do mundo. A indústria têxtil representa 80% das exportações do país asiático, e emprega quatro milhões de trabalhadores. Os proprietários das quase 5.000 fábricas existentes formam uma poderosa elite que financia os dirigentes políticos e ocupa cadeiras no parlamento. Não é por acaso que o proprietário do edifício derrubado, que violava todas as normas de construção, foi um membro importante do partido no poder.

É certo que muitas das grandes companhias ocidentais que operam em Bangladesh assinaram acordos com os provedores para garantir as condições laborais dos trabalhadores. Nisso está sua reputação. Mas é óbvio que o sistema falha. Para ampliar seus benefícios, os fabricantes locais costumam subcontratar outras empresas ilegais que não cumprem as condições mínimas de trabalho.

As empresas têxteis devem intensificar a supervisão direta nos locais, mas isso não basta. Também é sua obrigação pressionar as autoridades que não mostraram até agora nenhum interesse em por limites aos abusos. E os próprios governos não podem ficar à margem. Já antes dessa tragédia, os Estados Unidos estavam estudando excluir Bangladesh de seu programa de tarifas preferenciais, que permite a vários países em desenvolvimento exportar produtos livres de impostos. A União Europeia deveria fazer o mesmo. Este seria sem dúvida um passo para forçar as mudanças. 

 

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