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Sem samba nem marchinha, bloco CarnaJazz encerra folia com groove e soul

Carlos Minuano

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-03-05T17:26:49

05/03/2019 17h26

Que samba que nada! Na Vila Mariana, a terça de Carnaval foi embalada pela cadência suingada do jazz, com muito groove, soul e suingue. "Cansei de correr atrás de trio elétrico", diz Mariana Riccheti, 36, pouco antes de começar a folia do bloco CarnaJazz. 

Apesar das fantasias carnavalescas dos foliões, o clima no cruzamento das ruas Pelotas e Amâncio de Carvalho estava mais para Nova Orleans do que para Salvador. "Aqui não tem axé, marchinha nem sambinha, só jazz", avisa o presidente do bloco, Cláudio Maluf, 45. 

"Começamos em 2017 num espaço fechado na Vila Madalena, esse é o nosso segundo ano na rua", conta Maluf. Segundo ele, no ano passado o bloco reuniu cerca de 4 mil foliões. 

"Amo o Carnaval, adoro samba, marchinhas, mas faltava um espaço para o jazz dentro", argumenta o presidente do bloco. 

Uma multidão de foliões lotou a rua Pelotas para conferir o bloco que começou no palco com uma apresentação do quarteto do saxofonista Vinicius Chagas, 28. "São Paulo é a capital mundial do jazz, só Nova Iorque tem um circuito tão bom quanto aqui", ressalta o músico.

Vários foliões que acompanharam o Carnaval jazzístico na Vila Mariana escolheram o bloco pelo mesmo motivo: fechar a folia num clima mais tranquilo. 

Edson Lopes Jr./UOL
Foliões deixam o samba de lado e se esbanjam com groove, soul e suingue na Vila Mariana, em São Paulo Imagem: Edson Lopes Jr./UOL

"Achei a combinação perfeita, fim do Carnaval e jazz", explica Ana Flávia, 36. "Sai todos os dias, foi divertido, mas hoje queria pegar mais leve".

Já para Horácio da Costa, 54, o bloco atravessou um pouco o jazz. "Gostei, mas achei meio estranho, som estava meio estridente". Ele conta que prefere os "bueiros jazzísticos da Vila Madalena". "São mais intimistas."

Depois de show no palco foi a vez da folia ir para a rua com a turma do Jazz na Kombi. 

Apesar do ambiente jazzístico não faltou no cortejo foliões fantasiados. A francesa Ophelie Pourier, 24, que está há três meses no Brasil estudando restauração de florestas, veio vestida de indígena. 

Edson Lopes Jr./UOL
Folião usa máscara do presidente Jair Bolsonaro no bloco CarnaJazz Imagem: Edson Lopes Jr./UOL

Também teve quem preferiu uma pegada mais política. Com máscara do Bolsonaro, camiseta do Palmeiras, bolsa de colostomia e uma laranja na mão, Rubens Magalhães, 55, diz que a fantasia é uma mistura de homenagem e crítica.

"Votei no Bolsonaro, mas estou insatisfeito, ele está pisando na bola, os filhos parecem mandar mais que ele", observa.

O bloco CarnaJazz prometeu encerrar sua folia por volta de 19h como começou. Sem sambinha nem marchinhas, no palco, com um cortejo carregado de improviso com groove, cumbia, NU jazz e suingue latino.

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