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Chico Alves

Crivella copia telejornal da Globo e critica emissora no horário eleitoral

Campanha de Marcelo Crivella - Reprodução de vídeo
Campanha de Marcelo Crivella Imagem: Reprodução de vídeo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

13/10/2020 14h29

Entre as várias tarefas que tomam seu tempo diariamente, o prefeito do Rio e candidato à reeleição, Marcelo Crivella, tem uma prioridade. Ele se incomoda muito com as críticas da imprensa e em especial não perdoa as que recebe da TV Globo. Se dedica com afinco a rebatê-las.

A fixação com a Globo é tamanha que uma das peças da atual campanha de Crivella é um vídeo que imita o cenário e o formato do noticiário local da emissora. No telejornal eleitoral do prefeito, o apresentador começa dizendo que vai mostrar a verdade "que essa emissora nunca mostrou".

Na primeira matéria, o homem pergunta à sua colega de cenário: "Você lembra, Fabiana, que falavam que a saúde estava um caos?". Pelo que se sabe, o tempo verbal da pergunta está errado, já que para muitos cariocas a saúde continua caótica. Não faltam reclamações de falta de insumos, medicamentos e profissionais nos hospitais da cidade.

Depois de acusar a Globo de mentir, o apresentador do "RJ Crivella" conta uma lorota, ao dizer que no combate à covid-19 o Rio foi um exemplo para o Brasil. Na verdade, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, ocorreu justamente o contrário.

Em informe do início de setembro, a Fiocruz constatou que a capital fluminense é uma das cidades com maior taxa de letalidade por coronavirus em todo o planeta. Enquanto a média de mortes pela doença no Brasil era de 3,7% e no mundo de 3,3%, no Rio esse índice chegou a 10,7%.

A briga de Crivella com a Globo é antiga. Desde a campanha de 2016 ele reclama da emissora. Faltou à sabatina que iria ao ar no segundo turno da eleição municipal, acusando o jornalismo global de manipular informações.

O antagonismo chegou às raias da insanidade quando o prefeito decidiu destacar uma tropa de servidores para tentar impedir que repórteres entrevistassem os usuários do sistema de saúde. Os famosos "Guardiões do Crivella" iam para a porta dos hospitais para intimidar jornalistas, aos gritos de "Globolixo ".

O esquema foi desvendado pela própria emissora e virou caso de polícia.

Agora, o prefeito volta à carga contra a Globo. Porém, a julgar pela distância crescente do líder nas pesquisas, Eduardo Paes, talvez fosse melhor Crivella centrar esforços em mostrar seus feitos. Tem uma tarefa bastante dura pela frente: segundo pesquisa Ibope, ele é o prefeito de capital com maior índice de rejeição em todo o Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.