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Chico Alves

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsonaro cria novo conflito, enquanto diz que país não precisa de conflito

Presidente Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

09/04/2021 11h38Atualizada em 09/04/2021 16h57

Não há ninguém no Brasil mais encrenqueiro que Jair Bolsonaro e seus filhos. Desde o início do governo, por várias vezes se dirigiram aos opositores com ofensas de vários níveis. O presidente é frequentemente desrespeitoso com qualquer um que discorde dele. Longe de se adequar à compostura que o cargo exige, trata os desafetos aos palavrões e com termos chulos - tudo sob as vistas dos militares do governo, outrora defensores da disciplina.

O alvo da vez é o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ao saber que Barroso determinara a abertura da CPI da Covid no Senado, o presidente comentou ontem que "o Brasil está sofrendo demais e o que nós menos precisamos é de conflito".

Na manhã de hoje, criou uma nova treta.

No Twitter, Bolsonaro comentou sobre Barroso. "Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política", escreveu.

Esse é o método bolsonariano de evitar conflitos: ofender quem o desagrada.

O presidente parece desconhecer completamente os caminhos institucionais para manifestar insatisfação, ou simplesmente não tem a mínima paciência para eles.

Na verdade, Barroso tomou a única decisão possível. A Constituição Federal determina que é obrigatória a criação de uma CPI se o requerimento para sua instalação for assinado por 1/3 dos parlamentares. O pedido teve o apoio de 33 dos 81 senadores - incluída aí a assinatura do Major Olimpio, falecido recentemente.

O ministro apenas cumpriu a lei.

Enquanto Bolsonaro chuta a canela do STF, sua base parlamentar procura jogar dentro das regras e se mobiliza para tentar convencer senadores a retirar assinaturas do requerimento. Ou seja, vão fazer política.

Ao invés disso, o presidente prefere manter sua pose de valentão, expelindo impropérios, sem preocupação de que pode estar criando uma crise institucional.

Como todos sabem, com mais de 4 mil mortes em um dia na pandemia, o que o país menos precisa é de conflito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL