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Chico Alves

REPORTAGEM

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Ministros do STF procuram senadores para evitar indicação de André Mendonça

27.fev.2019 - O advogado-geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça - Isac Nóbrega/PR
27.fev.2019 - O advogado-geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça Imagem: Isac Nóbrega/PR
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

10/04/2021 04h00

Até a performance de quarta-feira (7) na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) em que citou várias vezes a Bíblia e colocou a Constituição em segundo plano, André Mendonça tinha bom conceito na Corte. Tanto que Jair Bolsonaro recebeu o aval de Dias Toffoli e Gilmar Mendes quando decidiu nomeá-lo como sucessor de Sergio Moro no Ministério da Justiça.

Porém, a pregação religiosa que o atual advogado-geral da União fez para defender o funcionamento de templos na pandemia mudou radicalmente o quadro. Ministros ficaram seriamente preocupados com a possibilidade de Mendonça ser indicado por Bolsonaro para a vaga que será aberta pela aposentadoria do decano Marco Aurélio.

Eles consideram que o único escolhido de Bolsonaro a integrar a Corte, Kassio Nunes Marques, tem surpreendido negativamente pelas frágeis sustentações de seus votos, muitas vezes dando a impressão de que quer torcer o entendimento das leis para agradar o presidente da República.

Com Mendonça, alguns ministros acreditam que a qualidade do STF poderia cair vertiginosamente, já que se mostrou praticamente um fundamentalista ao defender que os fiéis estão dispostos a morrer de covid-19 em nome da fé.

Integrantes do STF passaram a dividir essa preocupação com alguns senadores. Como se sabe, o Senado tem que referendar os nomes encaminhados pelo presidente para que a nomeação seja efetivada.

Senadores que ouviram as queixas dos ministros do Supremo concordaram que há motivos para preocupação. Um deles resumiu à coluna em termos populares que os ministros da Corte passaram a considerar Mendonça alguém de "pouco conhecimento" e um "ideológico varrido", além de citar o fanatismo religioso.

A solução mais drástica, porém incerta, seria o Senado vetar a indicação do presidente. Se isso acontecesse, entraria para a história como a primeira vez desde 1894 que um escolhido para o STF seria barrado pelos senadores.

Por enquanto, as gestões são para que os senadores façam chegar a Bolsonaro que o nome de André Mendonça não será bem recebido.