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Chico Alves

REPORTAGEM

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Em nova derrota para Bolsonaro, Patriota afasta o presidente do partido

10.jun.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado/Reuters
10.jun.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

24/06/2021 18h23

Em convenção nacional realizada hoje em Brasília, o partido Patriota aprovou por unanimidade o imediato afastamento do presidente da legenda Adilson Barroso, pelo prazo de 90 dias. Ele será julgado pelo conselho de ética por práticas que seriam autoritárias e contrárias ao estatuto partidário com o objetivo de acolher o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores na legenda.

"Toda ação motiva uma reação", afirmou à coluna o vice-presidente do Patriota, Ovasco Rsende, que agora assume o comando. Resende não quis antecipar se o afastamento de Barroso será definitivo. "Depende da defesa dele e do parecer do conselho", comentou.

A principal acusação contra o presidente do partido é que ele negociou individualmente o ingresso do presidente Bolsonaro na agremiação sem explicar aos demais integrantes as condições em que isso se daria.

"Não somos contrários à vinda de Bolsonaro, podemos discutir esse assunto, mas pedimos que o conselho político do partido tivesse conhecimento de como se daria essa vinda", explica o secretário-geral do Patriota, Jorcelino Braga. "Ele nunca colocou isso para nós e a família Bolsonaro nunca conversou conosco".

O receio de parte dos integrantes da legenda é que Bolsonaro repetisse no Patriota o que fez no PSL, onde passou a dominar completamente. "O que ouvimos falar é que Adílson entregou o controle do partido e com isso nós não concordamos", explica Braga.

O afastamento de Barroso da presidência complica ainda mais os planos eleitorais de Bolsonaro, que pretende ter o Patriota como legenda para abrigar seus correligionários nas próximas eleições.

O senador Flávio Bolsonaro, que já se filiou ao partido, lamentou a decisão em uma nota: "Infelizmente, uma ala minoritária do Patriota não entendeu a magnitude da chegada de um Presidente da República ao partido. Convenção ilegal convocada por eles, sem previsão no estatuto e que é um verdadeiro tiro na cabeça deles mesmos. Fui para o Patriota antes de todo mundo para arrumar a casa e é o que vamos fazer".