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Aras: PF deve ouvir ministros e recuperar reunião de Moro e Bolsonaro

Augusto Aras com o dedo em riste -  Foto: Adriano Machado/Reuters
Augusto Aras com o dedo em riste Imagem: Foto: Adriano Machado/Reuters
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

04/05/2020 16h23Atualizada em 04/05/2020 18h09

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou hoje ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma série de diligências para apurar os fatos narrados pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante a sua demissão.

Segundo a procuradoria, Aras entendeu ser necessário ouvir os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) e Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), além da deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP).

O objetivo é esclarecer se Bolsonaro realmente tentou interferir na Polícia Federal, como afirmou Moro, solicitando a troca de superintendentes estaduais e acesso a investigações.

PGR quer que delegados da PF sejam ouvidos

A Procuradoria também solicitou a oitiva dos delegados da Polícia Federal Maurício Valeixo (ex-diretor-geral da PF, demitido por Bolsonaro e estopim da saída de Moro do governo), Ricardo Saadi, Carlos Henrique de Oliveira Sousa, Alexandre Saraiva, Rodrigo Teixeira e Alexandre Ramagem Rodrigues (primeira opção de Bolsonaro para comandar a PF e cuja nomeação foi suspensa pelo ministro do STF Alexandre Moraes).

A justificativa para o depoimento dos delegados é para que prestem informações acerca de "eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do presidente perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes".

Aras ainda pediu ao STF a cópia do vídeo da reunião realizada entre o presidente, o vice-presidente, ministros de Estado e presidentes de bancos públicos, no último dia 22, no Palácio do Planalto.

Moro disse, em depoimento à PF, que durante esta reunião o presidente Jair Bolsonaro ameaçou demiti-lo, caso não concordasse em substituir o superintendente da Polícia Federal no Rio. O encontro ocorreu dois dias antes de seu pedido de demissão.

A PGR também quer os comprovantes de autoria das assinaturas da exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, publicada no Diário Oficial da União em 23 de abril, além de eventual documento com pedido de exoneração, a pedido, encaminhada por Valeixo ao presidente. Moro alegou que nunca assinou tal documento e que a exoneração de Valeixo não teria sido "a pedido".

Também foi solicitada a elaboração de um laudo pericial pelo setor técnico-científico da PF de dados do celular do ex-ministro, bem como um relatório de análise das mensagens de texto e áudio, imagens e vídeos.

"O procurador-geral requer, no âmbito do inquérito INQ 4.831, o encaminhamento do procedimento investigativo à Polícia Federal, por intermédio do SINQ (Serviço de Inquéritos da DICOR - Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado), para a realização das diligências, e o agendamento das oitivas dentro de um prazo de cinco dias úteis contados a partir da intimação, com prévia comunicação da PGR para acompanhamento dos depoimentos", informou a procuradoria.

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