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Diogo Schelp


Diogo Schelp

Ex-assessor que processou Trump coordena discursos para eleger... Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, no primeiro dia da convenção nacional do Partido Republicano - David T. Foster III/POOL/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, no primeiro dia da convenção nacional do Partido Republicano Imagem: David T. Foster III/POOL/AFP
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

26/08/2020 12h19

Se alguém duvida da possibilidade de reaproximação entre o presidente Jair Bolsonaro e os caciques do PSL, seu antigo partido, deveria considerar esse exemplo de reconciliação vindo dos Estados Unidos: o responsável pela coordenação dos discursos da Convenção Nacional Republicana que ocorre esta semana já processou Donald Trump por violar liberdade de expressão e publicou livro revelando os podres dos bastidores da Casa Branca.

Cliff Sims, que trabalhou na campanha de Trump em 2016, atuou como assessor especial do presidente e diretor de estratégia de comunicação até 2018, quando acabou saindo em meio a brigas com a equipe da Casa Branca. Ele diz que pediu demissão, enquanto seus ex-colegas afirmam que foi demitido.

Com o orgulho ferido, Sims publicou um livro sobre sua experiência no centro do poder com o nada suave título "Time de Víboras". Trump reagiu com a violência habitual nas redes sociais, dizendo que "mal conhecia Sims" e que seu livro era "chato" e "baseado em histórias inventadas e em ficção". Também afirmou que Sims fingia ter um cargo importante "mas não passava de um contínuo".

Trump também acusou Sims de desrespeitar compromisso de sigilo para ex-funcionários, da mesma forma como fez com seu ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, que também publicou livro com revelações de bastidores.

Como resposta, Sims processou Trump por tentar coibir seu direito à liberdade de expressão. No ano passado, porém, o ex-assessor desistiu da ação judicial contra o presidente.

A informação de que Sims foi reabilitado e agora chefia a estratégia de discursos da campanha de reeleição foi revelada pelo canal de TV americano ABCNews. Segundo o canal, Sims também cuidou pessoalmente das falas de Donald Trump Jr. e de Tiffany Trump, filhos do presidente, na Convenção Nacional Republicana, que se encerrará nesta quinta-feira (27) com um discurso do candidato.

O episódio Sims/Trump prova que, quando há interesse mútuo, os brutos também perdoam.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Diogo Schelp