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Jamil Chade


Agências da ONU iniciam radiação nuclear para combater mosquito da dengue

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

14/11/2019 10h54

Na esperança de reduzir de forma substancial o vetor do zika vírus e dengue, agências internacionais iniciarão o uso de radiação nuclear para combater o mosquito Aedes aegypti. O Brasil deve fazer parte do projeto.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fechou um entendimento com a FAO e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para iniciar um projeto global. A iniciativa está sendo bancada, em boa parte, por recursos do governo dos EUA.

No início de 2020, os países serão selecionados para os testes. No Brasil, projetos já vem ocorrendo desde março de 2018 na região de Recife, com resultados positivos na capacidade do mosquito em contaminar pessoas. Segundo a coluna apurou, o Brasil deve fazer parte da nova etapa.

A estratégia, proposta pela AIEA, é a de reverter a expansão da população de mosquitos. O plano consiste em expor mosquitos machos à radiação nuclear, tornando-os inférteis. Uma vez de volta no meio ambiente, esses mosquitos não conseguiriam se reproduzir e a população geral teria queda.

A SIT (sigla em inglês para Sterile Insect Technology) já existe e consiste em colocar os vetores em contato com raios X ou Gama. A vantagem do sistema é de que milhares de mosquitos seriam controlados, sem o uso de produtos tóxicos. Mas o grande obstáculo é o volume de insetos que teriam de ser inicialmente esterilizados. Para que isso funcione, os espécimes modificados teriam de ser superiores ao número de mosquitos machos em uma população autóctone em uma proporção de 10 a 20 vezes. Na prática, milhões de mosquitos teriam de ser expostos à radiação.

Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o surto de casos de microcefalia e outros distúrbios neurológicos em regiões com registro de zika vírus como uma emergência internacional. Em 2019, a entidade alertou que o número de casos de dengue bateu recorde nas Américas, com 2 milhões de casos no Brasil.

"Metade da população mundial está hoje sob o risco de ser contaminada pela dengue", afirmou Soumy Swaminathan, cientista chefe da OMS.

A constatação é que o mundo vem perdendo a batalha contra o Aedes. Tanto na OMS como no Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a percepção é de que é de que os instrumentos de desinfecção são pouco eficientes e apenas contar com uma mobilização social não está dando resultados.

Jamil Chade