PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Jamil Chade


OMS: Brasil e mais países devem se preparar para contenção do coronavirus

OMS alerta países ainda sem casos confirmados para que vigiem e se preparem - Agência Brasil
OMS alerta países ainda sem casos confirmados para que vigiem e se preparem Imagem: Agência Brasil
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/01/2020 17h34

A declaração de emergência sanitária global coloca sobre o governo brasileiro e todos aqueles sem o registro de casos a obrigação de que estabeleçam estratégias de contenção para um eventual surto do coronavírus.

"Espera-se que mais exportações internacionais de casos possam aparecer em qualquer país", afirmou a entidade. "Assim, todos os países devem estar preparados para a contenção, incluindo vigilância ativa, detecção precoce, isolamento e gestão de casos, rastreio de contatos e prevenção da propagação da infecção", explicou a OMS.

A entidade também pede que se partilhe "dados completos com a OMS" e relembra a todos os governos de que tal gesto é uma "obrigação legal".

"Os países devem dar especial ênfase à redução da infecção humana, à prevenção da transmissão secundária e da propagação internacional, e contribuir para a resposta internacional através da comunicação e colaboração multi-setorial e da participação ativa no aumento do conhecimento sobre o vírus e a doença, bem como no avanço da investigação", explicou a OMS.

Na lista de recomendações, a OMS insistiu que não incluiu restringir viagens. "As evidências demonstraram que restringir a circulação de pessoas e bens durante emergências de saúde pública pode ser ineficaz e pode desviar recursos de outras intervenções", explicam.

"Além disso, as restrições podem interromper a ajuda e o apoio técnico necessários, podem perturbar as empresas e podem ter efeitos negativos sobre as economias dos países afetados pelas emergências", alertam.

Mas a OMS deixa a porta aberta para algumas situações. "Em certas circunstâncias específicas, as medidas que restringem o movimento de pessoas podem revelar-se temporariamente úteis, como em contextos com capacidades e capacidades de resposta limitadas, ou onde existe uma elevada intensidade de transmissão entre populações vulneráveis", disse.

Coronavírus: Infectologista esclarece dúvidas sobre doença

Band Notí­cias

"Nessas situações, os países devem realizar análises de risco e custo-benefício antes de implementar tais restrições para avaliar se os benefícios superariam os inconvenientes", sugere. "Os países devem informar a OMS sobre quaisquer medidas de viagem tomadas. Os países são advertidos contra ações que promovam o estigma ou a discriminação", alerta.

Caso alguma medida sanitária seja implementada contra pessoas ou bens, governos serão obrigados a enviar à OMS "a fundamentação e justificação de saúde pública no prazo de 48 horas após a sua implementação". "A OMS irá rever a justificação e poderá solicitar aos países que reconsiderem as suas medidas", alertou.

Para a comunidade mundial, a agência pede que haja um apoio internacional "na identificação da origem do novo vírus, no seu pleno potencial de transmissão entre humanos, na preparação para a potencial importação de casos e na investigação para o desenvolvimento do tratamento necessário".

Jamil Chade