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Jamil Chade


OMS prepara plano global contra coronavírus

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/01/2020 11h41

Documentos oficiais revelam que 100 mil pessoas estão sob algum tipo de acompanhamento na China, seja por ter mantido contato com pessoas infectadas pelo coronavirus ou por suspeitas de terem desenvolvido a doença.

GENEBRA - Um documento entregue pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para governos, numa reunião confidencial nesta manhã em Genebra, revela que mais de cem mil pessoas estão sob algum tipo de acompanhamento por parte das autoridades chinesas, por conta da transmissão do coronavirus.

O informe, apresentado pela agência aos governos, confirmou que 7,8 mil pessoas foram de fato contaminadas, em 31 províncias da China e em 18 países. Dessas, 1,3 mil foram avaliadas como condições graves.

Mas os números também apontam que 12,1 mil casos suspeitos foram identificados na China até a manhã desta quinta-feira. Além desses, as autoridades estão mantendo contato com 88,6 mil pessoas que, ainda que saudáveis, tiveram relações com doentes ou com pessoas suspeitas de ter a doença. O temor é de que parte desse grupo também possa desenvolver a doença nos próximos dias.

Fora da China, são 82 casos confirmados, em 18 países. A OMS também determinou que, oficialmente, o nome da doença é "2019-nCoV doença respiratória aguda".

Os dados estão sendo repassados aos governos no mesmo dia em que a OMS reúne seu comitê de emergência para avaliar se decreta o surto do coronavirus como uma emergência sanitária global.

Plano

Mas, enquanto a decisão é avaliada, o documento revela que um plano detalhado para uma resposta global já vem sendo preparado pela OMS, integrando medidas regionais, nacionais e globais. A entidade estima que há a "possibilidade de que haja uma capacidade insuficiente de controle" da doença.

Um dos alertas da entidade aos governos é claro: "esse surto pode ter consequências sérias para a saúde pública e um impacto pesado sobre os sistemas de saúde".

Uma das prioridades, portanto, é a de "prevenir uma proliferação internacional" e evitar eventos que possam acelerar o número de pessoas contagiadas.

Para isso, a OMS coloca como prioridade "equipar países para detectar, isolar e cuidar de pacientes". Outra prioridade é a de lutar contra a desinformação.

O plano também prevê a criação de uma rede para ajudar governos a dar resposta e se preparar. O documento revela que existem trabalhos já sendo realizados para criar uma rede global de cientistas que possam atuar ao lado dos chineses para fortalecer a coordenação nas pesquisas sobre o vírus.

A meta é a de criar uma vacina, além de desenvolver eventuais tratamentos e equipamentos de diagnóstico.

24 horas

O documento também revela que governos terão obrigações, diante do novo cenário internacional. Países estão sendo chamados a confirmar casos suspeitos em 24h e compartilhar com a OMS as informações epidemiológicas.

A entidade também quer saber dos governos a velocidade de proliferação a áreas não-afetadas, para onde casos podem ser exportados ou importados, que tipo de exposição viajantes podem sofrer e se existe transmissão entre pessoas.

Governos também são chamados a fortalecer sua capacidade de laboratórios, serviços clínicos e colocar em funcionamento um sistema para proteger médicos e enfermeiras. ?

Levantamento

De acordo com a OMS, a transmissão do vírus entre humanos está ocorrendo. Entre os infectados, 18% deles vivem uma situação grave e 2% morreram.

Por enquanto, a entidade não recomenda restrições de viagens. A sugestão é para que o viajante atue com "precaução para impedir a transmissão da doença" e que ele busque imediatamente um médico se desenvolver algum sintoma.

A OMS também pede que haja um monitoramento de cada passo que saia de um país ou de uma região onde a transmissão esteja ocorrendo.

Outra recomendação é para que governos controlem a entrada de pessoas em seus países. De acordo com a entidade, tem sido por esse método que a maioria dos casos registrados em locais fora da China foi descoberta.

Atualmente, porém, apenas 32 países de um total de 194 estão conduzindo o monitoramento de quem entra em seus territórios. Cinco países estão evacuando pessoas de Wuhan e 16 anunciaram restrições de viagens.

Jamil Chade