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Jamil Chade


Brasil e EUA promovem aliados de Guaidó na ONU

07.jan.2020 - O líder da oposição e autoproclamado presidente da Venezuela Juan Guaido  - Yuri CORTEZ / AFP
07.jan.2020 - O líder da oposição e autoproclamado presidente da Venezuela Juan Guaido Imagem: Yuri CORTEZ / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/02/2020 11h04

Os governos do Brasil e dos EUA promovem aliados de Juan Guaidó em um evento nas Nações Unidas. Nesta quarta-feira, os dois governos co-patrocinam uma conferência para denunciar o regime de Nicolas Maduro, pedir eleições livres e abrir espaço para representantes da oposição.

O evento - Destruindo a Democracia na Venezuela - conta com o comissário de Guaidó para as entidades internacionais, Miguel Pizarro. Na ONU, o governo de Maduro continua sendo o representante legal da Venezuela, o que impede que vozes da oposição possam ter um status oficial. China, Rússia, Turquia, Cuba e uma dezena de outros países se recusam a questionar a legitimidade de Maduro.

Mas, com o apoio de americanos e brasileiros, o evento nesta quarta-feira abre espaço para os aliados do auto declarado presidente da Venezuela.

A reunião na ONU ocorre um dia depois que Donald Trump usou seu principal discurso para o Congresso americano para chamar Maduro de "tirano" e um governo "ilegítimo". "O domínio da tirania de Maduro será esmagado e destruído", declarou Trump em um discurso para qual foi convidado o próprio Guaidó.

"O que vemos hoje na Venezuela é uma ditadura", disse Miguel Pizzaro, filho de um ex-guerrilheiro marxista que fugiu de Pinochet e se refugiu em Caracas. Hoje, ele luta contra o governo de Maduro.

Pizzaro é um dos mais de 20 deputados que se refugiaram no exterior ou em embaixadas estrangeiras. "Tentamos negociar. Mas o governo Maduro abandonou a mesa no momento chave", afirmou.

O venezuelano defende uma ação na ONU. "Esse é o último local de diplomacia para o regime", disse. "Eles eram recebidos com flores, tapete vermelho", destacou.

Para Angel Medina, membro da Assembleia Nacional da Venezuela, a crise em Caracas é já uma "crise regional". "A única forma de sair dessa situação é ter uma eleição livre", disse. Hoje, sessões da Assembleia estão ocorrendo em locais públicos, como teatros ou praças. "Estamos aqui na ONU para pedir que a comunidade internacional nos ajude", apelou.

Andrew Bremberg, embaixador do governo de Donald Trump na ONU, deixou claro que vai pressionar Rússia e China para que abandonem o apoio ao regime de Maduro e que a crise venezuelana esteja no centro do debate do Conselho de Direitos Humanos, que começa no final de fevereiro, em Genebra.

Bremberg teceu elogios ao governo de Jair Bolsonaro. "Estão sendo muito ativos e um parceiro próximo", indicou.

O plano dos americanos é o de pressionar para garantir que eleições justas e livres possam ocorrer. Isso, segundo o embaixador, exige a criação de uma nova comissão eleitoral, uma nova corte suprema e um observatório internacional para monitorar a situação. Para o diplomata, é necessário ainda garantir acesso à imprensa e internet.

Jamil Chade