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Jamil Chade


Comissão de Direitos Humanos denuncia à ONU projeto autoritário do governo

O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do vice presidente Hamilton Mourão e dos ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Abraham Weintraub (Educação), e do governador do DF Ibaneis Rocha, dentre outros, durante cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares, no Palácio do Planalto -  Pedro Ladeira/Folhapress
O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do vice presidente Hamilton Mourão e dos ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Abraham Weintraub (Educação), e do governador do DF Ibaneis Rocha, dentre outros, durante cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares, no Palácio do Planalto Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/05/2020 16h17

Citando até as declarações da secretária da Cultura, Regina Duarte, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados denuncia o presidente Jair Bolsonaro na ONU por organizar "projeto autoritário em curso" e "alerta que há risco de implantar um governo ditatorial no Brasil".

O texto da queixa é assinado pelos deputados Helder Salomão, presidente da Comissão, além dos três vice-presidentes: Padre João, Túlio Gadêlha e Camilo Capiberibe.

O documento foi enviado para Michelle Bachelet, Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Agnes Callamard, Relatora Especial para execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, e Fabián Salvioli, Relator Especial para a Promoção da Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Recorrência.

A petição relata 23 fatos cometidos por Bolsonaro pessoalmente, pelo governo ou por algumas das mais altas autoridades da República. Eles se referem a atitudes de negar ou amenizam a ditadura, endossam a tortura ou enaltecem alguns dos expoentes do regime de exceção.

Um dos fatos mais recentes denunciados na carta é a entrevista de Regina Duarte para a CNN, em que ela minimiza os crimes cometidos pela Ditadura Militar no país.

"Há um sentimento de crescente adesão, pelas mais altas autoridades brasileiras, à legitimação da tortura, das execuções sumárias e da ditadura", afirmou o documento.

A petição ainda relata do grupo "300 de Bolsonaro", apresentado pela Comissão como uma "milícia armada".

O texto ainda aponta que "Bolsonaro sempre defendeu a tortura e a ditadura - não só a Brasileira, mas também a de Augusto Pinochet, no Chile".

"A adesão de Bolsonaro, de algumas das principais figuras do governo e de parte de seus partidários à ditadura e ao autoritarismo não é esporádica", diz a carta. "Não são fatos isolados; ao contrário, é uma forma consistente e repetida de pensar e agir", afirmou.

"Concluímos que há um projeto autoritário em andamento e alertamos que há um risco atual de um governo ditatorial no Brasil", disse.

No documento, os deputados ainda pedem que as instituições internacionais tomem medidas, dentro de sua competência, que possam auxiliar o Brasil.

Jamil Chade