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Jamil Chade


Covid-19 ameaça gerar ruptura de estoque de medicamentos contra HIV

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durate entrevista coletiva em Genebra -
Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durate entrevista coletiva em Genebra
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

06/07/2020 11h00

Um levantamento realizado pela OMS revela que existe o risco de uma ruptura de estoque de medicamentos antirretrovirais em 73 países, como resultado direto da pandemia de COVID-19.

Desses, 24 países indicaram que os estoques já estão em níveis críticos, ou mesmo já sofrendo interrupções no fornecimento desses medicamentos. Em maio, a UNAIDS já havia alertado que uma interrupção de seis meses no acesso aos remédios poderia levar a uma duplicação das mortes relacionadas à AIDS na África subsaariana somente em 2020.

Em 2019, estima-se que 8,3 milhões de pessoas estavam se beneficiando de tratamentos nos 24 países que agora enfrentam escassez de oferta. Isto representa cerca de um terço (33%) de todas as pessoas que tomam o tratamento no mundo.

Um dos principais problemas tem sido a interrupção dos serviços de transporte terrestre e aéreo, juntamente com o acesso limitado aos serviços de saúde dentro dos países.

"As conclusões desta pesquisa são profundamente preocupantes", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "Os países devem fazer todo o possível para garantir que as pessoas que precisam de tratamento para o HIV continuem a ter acesso a ele. Não podemos deixar que a pandemia da COVID-19 desfaça os ganhos duramente conquistados na resposta global a esta doença", alertou.

As novas infecções pelo HIV caíram 39% entre 2000 e 2019. No mesmo período, as mortes relacionadas ao HIV caíram em 51%. No total, 15 milhões de vidas foram salvas graças aos tratamentos.

Mas a pandemia paralisou avanços. De fato, nos últimos dois anos, o número anual de novas infecções por HIV atingiu o patamar de 1,7 milhão e a redução de mortes entre 2018 e 2019 foi considerada como modesta. Há dois anos, elas chegaram a 730 mil, contra 690 mil em 2019.

Ainda que 25 milhões de pessoas estejam hoje sendo tratadas, a meta da OMS para 2020 não serão atingidas.

Para a agência, a covid-19 agora ameaça exacerbar a situação. A orientação da OMS aos governos é para que haja uma distribuição de vários meses do remédio. Até o momento, 129 países adotaram esta política. Os países também estão mitigando o impacto ao negociar a manutenção de vôos e cadeias de fornecimento.

Jamil Chade