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Jamil Chade

Eleição foi mensagem a Bolsonaro sobre papel do clima, diz aliada de Biden

"Você não pode lidar com uma crise econômica antes de derrotar a pandemia", disse Biden durante seu primeiro discurso como presidente eleito em Delaware, seu reduto eleitoral - Getty Images
"Você não pode lidar com uma crise econômica antes de derrotar a pandemia", disse Biden durante seu primeiro discurso como presidente eleito em Delaware, seu reduto eleitoral Imagem: Getty Images

Colunista do UOL

12/11/2020 12h10

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A vitória de Joe Biden nos Estados Unidos (EUA) mostra a Donald Trump e líderes como Jair Bolsonaro o apoio popular que existe hoje na sociedade em relação às questões climáticas.

O alerta é de Gina McCarthy, negociadora durante o governo Obama, ex-presidente da Agência de Proteção Ambiental dos EUA e, mais recentemente, integrante da força-tarefa da campanha de Biden para elaborar sua proposta para temas climáticos.

Ao longo das últimas semanas, Biden tem indicado que seu governo irá colocar pressão sobre o Brasil nos assuntos climáticos e principalmente na defesa da Amazônia. Num dos debates antes da eleição, ele indicou que poderia implementar sanções em determinadas situações.

Bolsonaro, nesta semana, respondeu com uma ameaça, indicando que, quando a diplomacia termina, um país precisa contar com "pólvora". O presidente foi, internamente, ridicularizado por diplomatas brasileiros.

Questionada nesta quinta-feira pela coluna sobre qual mensagem a vitória de Biden manda para Bolsonaro, a representante dos EUA insistiu em deixar claro que o resultado da eleição vai além da questão partidária. "A eleição deve mandar uma mensagem clara para Trump, e espero que para outros líderes, de que a saúde pública é importante e que o clima é o desafio mais significativo de nossa era", respondeu.

"Isso manda uma mensagem forte de apoio popular para ação sobre o clima e um reconhecimento claro que precisamos prestar atenção na ciência e trabalhar juntos como um mundo", disse. "Reconhecemos que o mundo pode entrar em colapso", insistiu.

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Para ela, Biden vai focar em "como integrar a comunidade internacional" e usar "sua força para forjar parcerias, assim como mandar os sinais corretos".

Segunda a ex-negociadora, os últimos quatro anos foram "muito difíceis", numa referência ao governo Trump. "Essa foi uma das eleições mais consequentes de nossa geração. É um voto por um presidente que sabe dos desafios de mudanças climáticas e o mais consciente que já tivemos nesse assunto", afirmou.

Gina acredita que o pacote ambiental de Biden é o "mais ambicioso" já proposto por um governo americano. Mas garante que ele terá de voltar a entrar no debate de forma "humilde". "O presidente vai adotar medidas a partir do primeiro dia no governo, e irá além de voltar ao Acordo de Paris", indicou.

Entre as diferentes medidas que devem surgir nos primeiros dias do governo, a aliada de Biden prevê o estabelecimento de padrões ambientais, o papel central da ciência nas decisões, o destino de investimentos federais em energia limpa e um compromisso por redução de emissões até 2035.

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Laurence Tubiana, CEO da European Climate Foundation e uma das arquitetas da elaboração do Acordo de Paris, também destacou o impacto que Biden terá no restante do mundo. "O Brasil e muitos outros serão impactados pelo posicionamento de Biden", disse.

Segundo ela, a atitude de Trump em sair do Acordo de Paris deixou os europeus "sozinhos" na tentativa de manter a agenda internacional sobre as questões climáticas. Para a negociadora, Trump causou um "efeito dominó". "Vimos as consequências disso no Brasil, que era um país ativo na questão ambiental", completou.

Rachel Kyte, da Fletcher School e ex-enviada da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Clima, lembrou que Biden tocou em temas climáticos em todas as conversas que ele manteve esta semana com líderes globais, entre eles Angela Merkel, da Alemanha.