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Jamil Chade

Otan, OEA e UE denunciam ataques contra a democracia

06 jan. 2021 - Manifestantes favoráveis ao presidente Donald Trump são contidos com bombas de gás ao invadirem o Congresso dos Estados Unidos - SAUL LOEB/AFP
06 jan. 2021 - Manifestantes favoráveis ao presidente Donald Trump são contidos com bombas de gás ao invadirem o Congresso dos Estados Unidos Imagem: SAUL LOEB/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

06/01/2021 19h17


Entidades internacionais, muitas das quais próximas do governo americano, condenaram os atos nos EUA liderados por manifestantes pró-Trump.

Nas redes sociais, o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, qualificou as cenas na capital americana de "chocantes". "O resultado dessa eleição democrática precisa ser respeitado", disse.

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, também se manifestou. "O Congresso dos Estados Unidos é um templo da democracia. Testemunhar as cenas desta noite em Washington DC é um choque", escreveu. "Confiamos nos EUA para assegurar uma transferência pacífica de poder para Joe Biden", completou.

No Hemisfério Ocidental, a Organização dos Estados Americanos também soltou uma nota para denunciar a situação.

"A Secretaria-Geral da OEA condena e repudia os ataques contra instituições que estão sendo perpetrados hoje nos Estados Unidos por manifestantes que desconhecem os recentes resultados eleitorais", disse a entidade. "A democracia tem seu pilar fundamental na independência dos Poderes do Estado, que devem atuar totalmente livres de pressões", afirmou.

"O exercício da força e o vandalismo contra as instituições constituem um sério atentado ao funcionamento democrático", apontou a entidade, tradicionalmente aliada ao governo americano.

"É necessário recuperar a racionalidade e encerrar o processo eleitoral de acordo com a Constituição e os procedimentos institucionais correspondentes", completa a OEA.

Nos últimos anos, a OEA foi acusada de ter sido instrumentalizada por Trump para pressionar regimes na região, entre eles o da Venezuela.