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Jamil Chade

OMS quer auditoria internacional em laboratório chinês

Fachada do laboratório em Wuhan - AFP
Fachada do laboratório em Wuhan Imagem: AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/07/2021 14h57

A OMS (Organização Mundial da Saúde) propõe a criação de uma nova missão internacional para investigar as origens da covid-19 na China e quer uma auditoria ampla nos laboratórios de Wuhan. A proposta foi apresentada hoje aos demais governos e sofreu duras críticas por parte da China.

Há poucos meses, depois de um ano de negociações, uma primeira missão internacional foi enviada para a China. Mas a falta de transparência do governo de Pequim dificultou os trabalhos. A própria OMS indicou que aquela viagem havia sido apenas a primeira e que novos estudos seriam necessários.

Mas a missão foi rapidamente usada pelos chineses para anunciar que a ideia de um acidente em um laboratório estava descartada e que o foco seria apenas na origem animal do vírus.

Pressionada por americanos e europeus, porém, a OMS foi obrigada a mudar o tom e insistir que todas as hipóteses continuam sofre a mesa.

O que a agência sugere agora é que haja uma vistoria no laboratório, alvo de especulação sobre a possibilidade de um acidente. A tese foi amplamente usada pelo então presidente Donald Trump para atacar Pequim, sem qualquer tipo de provas.

Para a OMS, a única forma de superar a polêmica é realizar a inspeção e, assim, chegar a uma conclusão.

Na proposta, a agência pede "auditorias a laboratórios e instituições de investigação relevantes que operam na área dos casos humanos iniciais identificados em Dezembro de 2019".

No projeto apresentado pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreysus, também é solicitado amplo acesso ao mercado de alimentos de Wuhan e uma maior transparência por parte da China.

Durante a reunião, realizada em Genebra nesta sexta-feira, o governo de Pequim deixou claro que é contra o plano. "Esse plano não é base para futuros estudos", alertou a diplomacia chinesa, que recusa a acusação de que não tenha sido transparente. Dados que não foram entregues às autoridades internacionais teriam sido censuradas por supostamente envolver "informações pessoais" e que não poderiam deixar a China.

Um dia antes do encontro com os governos, a direção da OMS já havia alertado que pressionaria por uma segunda fase do processo. "Devemos uma resposta às vítimas e para evitar novas pandemias", disse Tedros. Um dos obstáculos tem sido o bloqueio aos dados brutos sobre o início da doença, na China.

Se no início do ano Tedros rejeitava a ideia de um acidente em laboratório que teria liberado o vírus, agora seu discurso é diferente. "Trabalhei em laboratórios. Acidentes ocorrem, eu vi e eu fiz erros", disse.