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Jamil Chade

OMS recomenda vacina da Pfizer a partir dos 5 anos de idade

Criança é vacinada contra a covid-19; vacinação, vacina - Getty Images
Criança é vacinada contra a covid-19; vacinação, vacina Imagem: Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

21/01/2022 10h00

Resumo da notícia

  • Agência, porém, pede que governos continuem a dar prioridade para doses de reforço para população vulnerável, antes de passar para menores

O grupo de cientistas da OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou nesta sexta-feira uma revisão de suas recomendações sobre o uso de vacinas contra a covid-19, ampliando a aplicação dos imunizantes da Pfizer para crianças a partir de cinco anos de idade e garantindo a segurança dos produtos. A recomendação que vigorava até agora na agência era a de vacinar menores a partir de doze anos de idade.

De acordo com o grupo técnico, sugere-se agora a "extensão da indicação até a idade de 5 anos com uma vacina de dosagem reduzida (10 µg em vez de 30 µg)".

Mas a OMS insiste: esse deve ser o grupo de menor prioridade dentro da escala de distribuição de imunizantes.

Numa declaração em Genebra, os especialistas insistiram que governos que não contam com doses suficientes precisam dar prioridade em garantir doses de reforços às populações adultas, antes de expandir a imunização para as crianças.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro criticou a vacinação de crianças, mesmo com o aval da Anvisa para as doses da Pfizer e, desde ontem, para menores a partir de 6 anos no caso da CoronaVac.

Para a OMS, não existem dúvidas sobre a segurança das vacinas para crianças. "Nunca aprovaríamos nada sem segurança", disse Alejandro Cravioto, chefe do grupo que avalia as vacinas na OMS. Segundo ele, a agência americana FDA também deu seu aval. "Posso garantir que, se tivéssemos qualquer dúvida, não faríamos a recomendação", disse.

Kate O'Brian, representante da OMS para vacinas, também assegurou que testes clínicos mostraram "resultados muito bons" em termos de segurança e que, ao longo do processo, essa questão não foi um obstáculo. Segundo ela, a dose dada às crianças entre 5 e 11 anos não é a mesma que recebem os adultos.

Prioridade

Mas a agência insiste que a questão é de estabelecer prioridades para garantir uma redução de mortes e casos graves, diante da pandemia.

Por isso, a OMS "recomenda a vacinação por dose de reforço começando com os grupos de maior prioridade de uso (por exemplo, adultos idosos e trabalhadores da saúde), 4 a 6 meses após a conclusão da série primária", afirmou.

"Países com baixas taxas de cobertura devem primeiro alcançar altas taxas de cobertura entre os grupos de maior prioridade de uso, antes de oferecer doses de vacina a grupos de menor prioridade de uso", afirmou o comunicado, emitido nesta manhã.

"Os países com cobertura moderada em grupos de maior prioridade de uso devem priorizar preferencialmente o fornecimento de vacinas disponíveis para primeiro alcançar alta cobertura de dose de reforço em grupos de maior prioridade de uso antes de oferecer doses de vacina a grupos de menor prioridade de uso", completou.

Alejandro Cravioto afirma que, antes de passar a vacinar crianças, países devem assegurar que o maior número possível de pessoas vulneráveis esteja protegido. Isso, segundo ele, teria um impacto maior para lidar com a pandemia.

Outra constatação da OMS é de que é mais importante dar vacinas para quem ainda não está protegido que concentrar esforços numa terceira dose para aqueles já imunizados.