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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Rússia poupa Brasil e diz que país "entende" razões do Kremlin na Ucrânia

16.fev.2022 - Jair Bolsonaro acompanha Vladmir Putin, presidente da Rússia, durante declaração à imprensa, em Moscou - Alan Santos/PR
16.fev.2022 - Jair Bolsonaro acompanha Vladmir Putin, presidente da Rússia, durante declaração à imprensa, em Moscou Imagem: Alan Santos/PR
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

04/03/2022 12h35Atualizada em 04/03/2022 17h55

O embaixador da Rússia na ONU, Gennady Gatilov, minimiza os votos do Brasil contra Moscou em diferentes organismos das Nações Unidas e insiste que o governo de Jair Bolsonaro (PL) "entende" as razões pelas quais o Kremlin realiza sua operação militar na Ucrânia.

Nos últimos dias, o Brasil votou ao lado dos Estados Unidos e potências ocidentais em propostas de resolução criticando a Rússia. Isso ocorreu tanto na Assembleia Geral da ONU como, nesta sexta-feira (4), no Conselho de Direitos Humanos.

Acompanhe a cobertura completa sobre o conflito na Ucrânia, entrevistas, análises e mais no UOL News:

Em um encontro com a imprensa internacional em Genebra, hoje, o diplomata russo foi questionado pelo UOL se se sentia decepcionado pela postura do Brasil em votações na ONU, depois de Vladimir Putin receber Bolsonaro no mês passado.

Mas, segundo ele, o Brasil "explicou sua postura". De fato, após apoiar a resolução que cria uma comissão de inquérito para examinar os crimes na Ucrânia, o Itamaraty pediu a palavra para criticar a proposta e dizer que ela não era a mais adequada.

O governo brasileiro também tem criticado sanções e o envio de armas por parte de potências ocidentais, além apontar que os interesses legítimos da Rússia devem ser considerados.

Cabe a cada país tomar posições. Mas, para nós, os brasileiros entenderam os objetivos de nossa operação e as razões pelas quais fazemos isso."
Gennady Gatilov, embaixador da Rússia na ONU

De acordo com ele, Moscou "não quer ocupar a Ucrânia". "Isso está fora de questão", disse o embaixador, que foi vice-chanceler de Sergei Lavrov.

"O que queremos é desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia", insistiu. Segundo ele, é a ameaça militar da Otan que gerou tal crise.

O diplomata, que falou com a imprensa por mais de uma hora, se recusou a usar a palavra "guerra" para qualificar o que ocorre na Ucrânia. "Trata-se de uma operação militar especial, que é legítima", insistiu.

Ele fez questão de minimizar o voto brasileiro, favorável aos americanos. "Não acho que o voto reflete todas a nuances da posição brasileira", disse.

Segundo o embaixador, o Brasil "explicou sua posição". "Não é tão simples. Existem nuances", afirmou.

O representante do Kremlin rejeita que esteja isolado, apesar das votações, e diz que China e Índia estão entre os países que apoiam sua posição. "Sabemos que muitos países foram pressionados pelos EUA e aliados ocidentais. Sabemos que esses países foram às capitais. Nem todos estão em posição de resistir. Mas não significa que concordam completamente com o que ocorre na Ucrânia e as políticas dos EUA", disse o russo.

Para ele, a "história vai mostrar quem estava certo".