Jamil Chade

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Governo conversa com equipe de Milei, mas Lula decidirá sobre ida à posse

O governo brasileiro iniciou um processo para se aproximar da equipe do presidente eleito da Argentina, Javier Milei. Mas uma decisão sobre a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à posse será exclusivamente do chefe de Estado brasileiro.

A posse está marcada para o dia 10 de dezembro. Até lá, o governo Lula estima que um dos fatores importantes é o de entender como será feita a transição e até que ponto acordos, tarifas e compromissos entre os dois países serão preservados.

Nesta sexta-feira (24), o assessor especial do Palácio do Planalto, Celso Amorim, recebeu em seu gabinete o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Scioli. Questionadas sobre a agenda do encontro, pessoas que participaram da reunião se limitaram a dizer que "todos os temas da relação bilateral" foram tratados.

Em Buenos Aires, capital da Argentina, conversas também foram estabelecidas, na esperança de que haja pelo menos um espaço para que uma normalização da relação exista entre os dois principais parceiros comerciais e políticos da América do Sul.

Durante a campanha eleitoral, Milei fez questão de atacar Lula, afirmou que haverá um distanciamento do Mercosul e incorporou em seu discurso muitos dos lemas bolsonaristas contra a esquerda.

Mas, desde sua vitória, alguns de seus sinais foram interpretados pela diplomacia brasileira como indicadores de que haveria espaço para um diálogo. Um deles foi o fato de que Milei agradeceu ao presidente da China, Xi Jinping, pelos votos que Pequim enviou ao país pelas eleições.

Também surpreendeu o fato de que Joe Biden tenha telefonado ao argentino. Milei tem sido uma das vozes de apoio a Donald Trump, na região.

Nos últimos dias, o argentino ainda deixou claro que o presidente brasileiro será bem recebido se for à posse.

Mas, no Executivo, os comentários apontam que a decisão de ir dependerá de uma só pessoa: Lula.

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Mesmo com um entendimento de que não haverá ruptura na relação entre Brasil e Argentina, um dos obstáculos foi a decisão de Milei de convidar o ex-presidente Jair Bolsonaro para sua posse. Em termos protocolares, a presença do brasileiro terá de ser alvo de um cuidadoso arranjo para que Lula possa estar em Buenos Aires.

Para o Itamaraty, o quebra-cabeça cabe agora aos argentinos. Mas, no Planalto, há quem tema que Bolsonaro seja mais prestigiado que Lula, criando um constrangimento para o presidente brasileiro.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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