Conteúdo publicado há 2 meses
Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
Opinião

Análise: Atacar Bolsonaro e inocentar militares na trama golpista é erro

Em entrevista ao programa Análise da Notícia, o professor de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva afirmou que é um erro inocentar militares da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Estão cometendo um erro. Essa tática de separar Bolsonaro e os militares, de atacar Bolsonaro e inocentar os militares é um erro. O bolsonarismo é o golpismo militar hoje, como foi o tenentismo. Não dá para inocentar e Lula erra quando escolhe Bolsonaro como alvo e passa a mão na cabeça da elite militar golpista. Francisco Teixeira da Silva

Após o ministro Alexandre de Moraes retirar o sigilo dos depoimentos dados à Polícia Federal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro na Presidência, os militares adotaram a estratégia de reduzir danos e, ao menos, salvar alguns militares.

O professor explicou que Braga Netto, Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier, Mauro Cid e outros "três ou quatro tenentes-coronéis e majores" fatalmente serão condenados, mas os militares ainda tentam salvar o ex-comandante do Exército, general Arruda, os comandantes do Planalto, general Dutra, e o ex-comandante do Centro de Operações Terrestres (COTER), general Teófilo.

A ideia agora é como minimizar os danos e minimizar os danos implica em tirar os três nomes do pacote. Há uma operação para salvar esses três e limitar os danos. A fala do Braga Netto contra outros militares apareceu no ambiente militar como uma traição e aquela mítica da família militar unida virou lixo na boca do Braga Netto. Eles se sentem muito à vontade em entregar esse grupo, mas fazendo a operação salva para que o grupo não se torne tão grande assim. Mas, se nada acontecer com Dutra e Arruda, é realmente um passar pano poderoso. Francisco Teixeira da Silva

O professor destacou ainda que no final de 2022 existiu uma disputa interna entre militares para impedir um possível golpe e, devido ao mito da união militar desde a sua formação nas escolas, afirmou que a punição a alguns militares já seria um fato histórico no Brasil.

Nunca aconteceu na história da República que os generais tivessem que responder processos civis por golpe de Estado e perderem sua patente. Isso já é uma grande lição. Francisco Teixeira da Silva

***

O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Continua após a publicidade

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Deixe seu comentário

Só para assinantes