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Perícia liga grupo que atacou Botucatu (SP) a mais assaltos, diz polícia

Quadrilha assaltou agências bancárias durante a noite no interior de SP - Reprodução/Twitter
Quadrilha assaltou agências bancárias durante a noite no interior de SP Imagem: Reprodução/Twitter
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

30/07/2020 19h24Atualizada em 31/07/2020 11h46

ESCLARECIMENTO: Inicialmente esta reportagem continha informação dada pela Polícia Civil que o morador de rua Ivan de Almeida, 29 anos, havia sido morto pelas forças de segurança por estar participando do assalto ocorrido esta semana em Botucatu (SP). Posteriormente, a polícia informou a coluna que a morte de Almeida seria apurada internamente, uma vez que há "inconsistências" nas circunstâncias relatadas. Segundo Boletim de Ocorrência, Almeida estaria armado e com colete à prova de balas. A família dele afirma que ele não tinha ligação com a quadrilha que atuou em Botucatu, e diz que ele era um morador de rua.

Leia a reportagem abaixo:

Provas periciais colhidas pela Polícia Civil indicam que a quadrilha que atacou agências bancárias na madrugada desta quinta-feira (30) em Botucatu (SP) foi a mesma que agiu em Ourinhos e Bauru, também no interior paulista. As ações foram respectivamente em maio deste ano e em setembro de 2018.

Segundo o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Bauru foram colhidos nas três ações perfis genéticos e impressões digitais nas armas, veículos e outros equipamentos apreendidos.

Nas três ocasiões os assaltantes agiram de maneira semelhante. Atuaram na madrugada em bando de até 40 homens. Usaram fuzis e metralhadora calibre 50 - arma capaz de derrubar aeronave - além de explosivos e uma dezena de veículos.

Também utilizaram drones para monitorar o trabalho policial, sitiaram quartéis e bases da PM (Polícia Militar), bloquearam estradas e saídas das cidades com veículos roubados para impedir possível perseguição e fizeram reféns.

Os trabalhos periciais constataram que integrantes da mesma quadrilha atuaram nos três roubos. Em todos eles, os criminosos impuseram terror à população, efetuando disparos, por longos minutos, com armas pesadas como forma de intimidação.

O mesmo tipo de artefato, usado para explodir cofres e caixas eletrônicos, foi apreendido nas três cidades. Segundo a Polícia Civil, essa é mais uma evidência de que as ações foram realizadas pelos mesmos ladrões.

"O núcleo é o mesmo", diz delegado

Segundo o delegado divisionário do Deic de Bauru, Ricardo Dias, a única diferença nas três ações é que em Botucatu os criminosos explodiram caixas eletrônicos e em Ourinhos e Bauru vigias acabaram rendidos e foram usados artefatos para arrombar cofres de agências bancárias.

"O núcleo central, composto pelos mentores intelectuais, é o mesmo. As mudanças geralmente ocorrem na escolha daqueles que vão realizar tarefas que não exigem experiência, como os que ficam vigiando ruas e esquinas enquanto os especialistas colocam os explosivos e invadem os bancos", explicou um delegado que pediu para não ter o nome divulgado.

Esse mesmo policial informou à reportagem que a Polícia Civil já identificou alguns integrantes do bando graças às provas periciais. Os criminosos estão foragidos.

Segundo a polícia, os assaltantes deixaram para trás dois malotes contendo um total de R$ 2 milhões. O dinheiro foi apreendido pelas forças de segurança.

Na ação de Ourinhos, a Polícia Civil explicou que o Banco do Brasil informou extraoficialmente que foram roubados R$ 52 milhões do cofre. Em Bauru, os assaltantes levaram ao menos R$ 10 milhões da agência da Caixa Econômica Federal.