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Josmar Jozino

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Geleião, único fundador vivo do PCC, contraiu covid e está em estado grave

14.dez.2017 - José Márcio Felício, Geleião, um dos fundadores do PCC  - Fernando Donasci/Folhapress
14.dez.2017 - José Márcio Felício, Geleião, um dos fundadores do PCC Imagem: Fernando Donasci/Folhapress
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

09/04/2021 17h45Atualizada em 10/04/2021 08h07

José Márcio Felício, 59, o Geleião, único fundador vivo do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi internado nesta sexta-feira no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, na zona norte da capital, por complicações relacionadas à covid-19. Ele estava preso na Penitenciária de Iaras (SP).

Segundo fontes do sistema prisional, o quadro de saúde de Geleião é gravíssimo. A Secretaria Estadual da Administração Penitenciária confirmou em nota a internação do prisioneiro.

A mulher de Geleião, Ana Paula Felício, 41, disse que não foi avisada pela direção da Penitenciária de Iaras da internação nem tampouco sobre o estado de saúde dele. Afirmou que soube da hospitalização pelo UOL.

"Ninguém da unidade me avisou. Eu estou indignada. Soube por você. Depois telefonei para o diretor do presídio e ele me confirmou. Mas disse que o caso era sigiloso e não podia me informar para qual hospital o José Márcio foi transferido. Eu respondi que não havia nada secreto porque já tinham vazado a informação para a imprensa", reclamou.

Ana Paula tinha razão. Quando ela ligou para o diretor da penitenciária, o repórter Rogério Pagnan, da Folha de S.Paulo, já havia publicado em primeira mão a notícia.

Ana Paula contou ao UOL que viu Geleião pela última vez em janeiro. Segundo ela, o preso é o único em Iaras que podia receber visita no chamado RO, o setor conhecido como Regime de Observação, afastado dos pavilhões habitacionais.

De acordo com Ana Paula, Geleião havia dito para ela durante a visita que muitos presos tinham contraído a covid na unidade. "Ele me falou que muitos detentos nos pavilhões e até no castigo estavam com essa doença", disse.

Também está preso na Penitenciária de Iaras Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, acusado de ter estuprado e matado seis mulheres e de ter tentado assassinar outras nove na mata do Parque do Estado, na zona sul da capital.

A mulher de Gelião afirmou também que visitou Geleião das 9h até as 16h. O único problema de saúde dele, relatado por ela, era pressão alta. "Era só essa comorbidade. Ele sempre fez muitos exercícios físicos e se mantinha em forma. Amarrava até panos nas mãos e socava o concreto como se fosse um saco de areia usado pelos lutadores de boxe", lembrou.

Fontes do sistema prisional disseram que Geleião está com 50% dos pulmões comprometidos. Ele foi removido às pressas sob forte aparato policial.

Preso desde 1979

Condenado a 142 anos de prisão, o fundador do PCC está preso ininterruptamente desde 1979. A pena dele pode aumentar ainda mais, já que responde a processo pelas mortes de três presos e de um agente penitenciário durante rebelião de junho de 2001, quando estava recolhido na Penitenciária Estadual de Piraquara, no Paraná.

Em 31 de agosto de 1993, Geleião e outros sete presos fundaram o PCC na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba. Nove anos depois, ele foi excluído da facção criminosa, após uma guerra interna, e desde então passou a ser jurado de morte pelos rivais.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, desde o início da pandemia 13.410 presos testaram positivo para Covid-19. Destes, 13.171 ou 97,91% estão recuperados e 42 vieram a óbito.