Josmar Jozino

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DNA vincula líder do 'novo cangaço' aos maiores roubos em Santos e Paraguai

Exames de DNA vincularam o assaltante Fausto Ricardo Machado Ferreira, 45, aos roubos de US$ 11,7 milhões (equivalentes a R$ 56,6 milhões na cotação atual) da sede da Prosegur em Ciudad del Este, no Paraguai, e de R$ 12,1 milhões da mesma empresa em Santos, na Baixada Santista.

A notícia sobre o resultado dos testes genéticos foi revelada na terça-feira (21) pelo repórter Eduardo Velozo Fuccia, do portal de notícias Vade News.

Fausto foi preso em 31 de agosto deste ano em uma lanchonete no bairro da Água Branca, zona oeste paulistana. Ele era procurado por suspeita de participação em cinco assaltos a bancos com uso de explosivos em menos de um mês no estado.

A Polícia Civil de São Paulo o aponta como um dos líderes do "novo cangaço", grupo de ladrões que invade cidades pequenas, com pouco policiamento, para explodir e roubar bancos.

Imóvel da Prosegur do Paraguai destruída em roubo ocorrido em 24 de abril de 2017
Imóvel da Prosegur do Paraguai destruída em roubo ocorrido em 24 de abril de 2017 Imagem: Divulgação/Ministério Público Estadual

Em setembro, peritos do Núcleo de Biologia e Bioquímica do Instituto de Criminalística de São Paulo colheram amostra da mucosa bucal de Fausto. O material foi inserido no BNPG (Banco Nacional de Perfis Genéticos), subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Os laudos mostram que o perfil analisado é compatível ao material coletado em uma toalha apreendida em uma casa em Cidad del Este alugada pela quadrilha e usada como base para o roubo à transportadora de valores paraguaia.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Fausto, mas este texto será atualizado se houver manifestação.

Série da Netflix

'DNA do Crime', série da Netflix
'DNA do Crime', série da Netflix Imagem: Guilherme Leporace e Alisson Louback/Netflix
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O roubo na Prosegur do Paraguai, ocorrido em 24 de abril de 2017, foi o maior da história daquele país e virou até série de ficção apresentada pela Netflix. A temporada de "DNA do Crime", com oito episódios, começou a ser exibida no último dia 14.

O DNA de Fausto também foi encontrado em uma touca deixada em um Fiat Uno roubado pelo bando dele após o assalto na Prosegur em Santos e abandonado em Santo André, na região metropolitana. O crime aconteceu em 4 de abril de 2016, e foi o maior já registrado na cidade de Santos.

A quadrilha, em posse de armamento pesado e de grosso calibre, agiu com muita violência. Durante a fuga, na rodovia Anchieta, os criminosos efetuaram disparos de fuzil e mataram os policiais militares Alex de Souza da Silva e Leonel Almeida de Carvalho. Ambos estavam em uma viatura.

No dia 25 de outubro, o promotor de Justiça Rogério Pereira da Luz Ferreira denunciou Fausto sob acusação do roubo na Prosegur de Santos e das mortes dos dois policiais militares. Outros quatro comparsas dele já haviam sido condenados pelos crimes.

Condenado a 146 anos

As penas variam de 70 anos e 10 meses a 146 anos e sete meses de prisão em regime fechado. A condenação maior foi imposta ao assaltante Anderson Struziatto dos Santos.

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Segundo a Polícia Civil, a quadrilha de Fausto explodiu duas agências bancárias na cidade de Santa Branca, no interior de São Paulo, no dia 1º de julho deste ano. Vinte dias depois, os assaltantes atacaram, usando artefatos, caixas eletrônicos em um posto de combustíveis em Atibaia.

A última ação do bando foi registrada em 6 de agosto, quando os criminosos destruíram duas agências bancárias no tranquilo distrito de São Francisco Xavier, no município de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), nas proximidades da divisa com o estado de Minas Gerais.

Errata:

o conteúdo foi alterado

  • Diferentemente do informado, São Francisco Xavier é um distrito de São José dos Campos (SP), e não um município. O texto foi corrigido.

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