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Josmar Jozino

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Chefes do PCC e UPBus foragidos não constam em lista policial de procurados

Apontados como os criminosos mais perigosos de São Paulo, Silvio Luiz Ferreira, 46, o Cebola, e Décio Gouveia Luiz, 57, o Décio Português, líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), são foragidos da Justiça, mas ainda não tiveram os nomes incluídos na lista de procurados do site da Polícia Civil de São Paulo.

Segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), ambos estão entre os maiores acionistas da UPBus, empresa de ônibus da zona leste paulistana investigada por ligação com a facção criminosa. Cebola e Décio Português tiveram a prisão decretada pela Justiça em abril deste ano.

Os fugitivos foram denunciados à Justiça pelos crimes de associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro. Investigações do delegado Fernando Santiago, do Denarc, e MP-SP, constataram que familiares de Cebola investiram R$ 247 mil em ações da UPBus e de Décio, R$ 618 mil.

O juiz Leonardo Valente Barreiros, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital decretou a prisão preventiva dos dois por entender que eles exerciam comando das atividades ilícitas da UPBus dentro da estrutura do PCC.

Os nomes e fotos de Cebola e Décio Português não aparecem na lista de procurados da Polícia Civil paulista. A relação tem 15 fotos de foragidos. O único nome de criminoso ligado ao PCC é o de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta. Segundo o MP-SP, ele foi expulso da organização criminosa.

A SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) foi procurada para informar se os nomes dos fugitivos seriam incluídos na lista de procurados da Polícia Civil. A pasta ainda não se manifestou e o texto será atualizado quando houver um posicionamento.

Dono de 56 ônibus da UPBus

Cebola foi apontado pelo Ministério Público como dono de ao menos 56 ônibus da UPBus, sediada no bairro do Limoeiro, zona leste da capital. O MP-SP sustenta que ele e Décio Português investiram em ações da companhia, em nomes de familiares, usando dinheiro do tráfico de drogas do PCC. Eles negam.

As investigações constataram que Cebola usava nomes falsos de Rodrigo Martins Santana e Márcio Barbosa Santos para comandar as atividades ilícitas. Em 2 de junho de 2012, ele foi preso com 480 kg de maconha e R$ 150 mil em espécie na sede de uma empresa de ônibus que sucedeu a UPBus.

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A prisão, efetuada por PMs da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) aconteceu na garagem 2 da antiga Associação Paulista, que deu origem à Qualibus, hoje denominada UPBus. A empresa tem atualmente mais de 200 ônibus.

Décio Português, apontado pelo MP-SP como o número 3 na hierarquia do PCC, deixou a Penitenciária Federal de Mossoró (RN), em agosto do ano passado pela porta da frente após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A Justiça de São Paulo o condenou a 5 anos e 4 meses por associação a organização criminosa, mas o inocentou da acusação por tráfico de drogas. Em 21 de junho de 2022, a defesa dele recorreu da decisão e pediu que o cliente aguardasse o recurso em liberdade.

Ele estava preso havia quatro anos. Eliseu Minichillo e Ana Paula Minichillo, advogados do detento, recorreram da decisão. Em 24 de agosto de 2023, o STJ relaxou a prisão preventiva do presidiário por excesso de prazo no julgamento do pedido dos defensores.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), subordinado ao MP-SP, os dois foragidos são os criminosos mais importantes e mais perigosos do PCC nas ruas. As suspeitas são de que ambos tenham fugido para a Bolívia.

Outro lado

Anderson Minichillo, advogado de Silvio Luiz Ferreira, diz que "seu cliente não é integrante do crime organizado, foi absolvido de todas as acusações e agora o Gaeco novamente busca incriminá-lo, falsamente, informando que ele tem participação societária na UPBus".

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Segundo o defensor, "é falsa também a acusação de que o cliente pertence ao PCC, fato este provado quando de sua absolvição na Operação Sharks, onde ficou demonstrado que Silvio não tinha ligação com o apelido de Cebola imputado a ele".

O advogado afirma ainda que "Sílvio está foragido porque aguarda o julgamento de recursos". Anderson Minichillo diz que provará a inocência de seu cliente.

Eliseu Minichillo e Ana Paula Minichillo, advogados de Décio Luiz Gouveia, "dizem que o cliente é inocente de todas as acusações, nunca pertenceu e jamais pertencerá ao crime organizado".

A defesa alega que "a família de Décio tem empresa de construção e adquiriu as ações com dinheiro lícito". Segundo os advogados, "os investimentos foram feitos gradativamente: Eram R$ 123.600,00 em 2015; R$ 370.800,00 em 2017; R$ 494.400,00 em 2018 e R$ 618 mil a partir de 2020".

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