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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Irmã de Jairinho intimada; babá contou que ela orientou a não falar tudo

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

13/04/2021 16h46

A Polícia Civil do Rio de Janeiro intimou nesta terça-feira Thalita Santos, irmã do vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. A intimação é para que ela compareça à 16ª Delegacia de Polícia, às 15h30, desta quarta-feira (14). Ela foi mencionada no depoimento prestado por Thayná Ferreira, babá do menino Henry, morto no início de março. A ex-funcionária disse que foi orientada pela irmã do vereador a não contar tudo que sabia e questionada se tinha destruído as mensagens no celular.

O vereador e Monique Medeiros, mãe de Henry, tiveram a prisão decretada pela juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri, na semana passada. Eles são investigados pelo assassinato do menino e foram presos pela acusação de estarem atrapalhando as investigações.

Thayná disse aos policiais que soube da morte de Henry após uma ligação de Thalita. "Que lhe informou que Henry havia passado mal e faleceu". A babá disse que questionou como isso tinha ocorrido e ouviu apenas "que Thalita confirmou que Henry tinha passado mal e morrido e logo desligou o telefone".

Thayná disse ainda que dias depois recebeu uma outra ligação de Thalita perguntando se ela "poderia ir no escritório de um advogado no dia seguinte, tendo a declarante respondido que sim". A babá disse que foi até a casa de Thalita, onde sua mãe trabalha, e de lá foi para o escritório do advogado que atua na defesa de dr Jairinho, seu antigo patrão. Thayná disse que, na ocasião, foi orientada por Monique Medeiros a não falar nada sobre as agressões e a apagar as conversas no celular. Depois da conversa com o advogado, ela deu uma entrevista.

Mais alguns dias se passaram e Thayná disse que foi procurada novamente por Thalita para que as duas se encontrassem. A babá então foi a casa do pai de Jairinho, o coronel Jairo, e conversou com Thalita.

Thayná disse que "começou a contar, porém, quando ainda estava narrando as circunsta?ncias da segunda ocasião em que Jairinho agrediu Henry, Thalita mandou que a declarante parasse de contar". A babá disse que não se recorda da data, mas foi antes de seu primeiro depoimento, quando negou que soubesse de agressões de Jairinho contra Henry.

"Que a declarante sabia que seu depoimento em sede policial estava próximo e que queria falar a verdade, pois estava com medo, porém Thalita, então, disse para a declarante não ser juíza do caso do irmão dela, que "menos é mais", dando a entender que não era para a declarante falar tudo que sabia, que todos já estavam sofrendo muito"

A irmã de Jairinho ainda perguntou sobre conversas armazenadas no celular e orientou a destruição. "Que Thalita disse à declarante que Monique contou sobre a existência de mensagens no celular da declarante, sem mencionar o teor; Que Monique disse a Thalita que já teria apagado tais mensagens de seu próprio celular, e não sabia se a declarante já havia apagado do seu; Que a declarante confirmou a Thalita que já havia apagado as mensagens com Monique e Jairinho."

Alguns dias depois, Thalita ligou novamente para Thayná e, segundo seu depoimento, "reforçou tudo o que já havia dito, reafirmando que a declarante devia falar o mínimo em seu depoimento".