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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com máscara a favor do isolamento social, Queiroz toma 2ª dose da vacina

Fabrício Queiroz é vacinado no Rio de Janeiro - Reprodução
Fabrício Queiroz é vacinado no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

04/08/2021 14h28

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), postou na terça-feira (3) um vídeo em suas redes sociais no qual ele aparece tomando a segunda dose da vacina contra a covid-19. No momento da aplicação, o policial reformado usava uma máscara do 18º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro com uma mensagem favorável ao isolamento social: "Fique em casa por mim, que eu vou à luta por nós!"

A mensagem é oposta a tudo que o presidente Jair Bolsonaro, amigo de Queiroz desde a década de 1980, disse desde o início da pandemia de covid-19 no ano passado. Bolsonaro foi contrário a todas as políticas de isolamento social que foram defendidas por diferentes países e cientistas, em todo o mundo, para evitar a contaminação pelo vírus.

A inscrição na máscara de Queiroz é também uma mudança nas próprias declarações do policial sobre o tema. Na época da aplicação da primeira dose, Queiroz chegou a endossar o discurso de Bolsonaro.

Em maio deste ano, após postar imagens do momento em que tomou a primeira dose, Queiroz escreveu: "Vacina sim, lockdown jamais. Vamos trabalhar".

No ano passado, após ser preso, em junho de 2020, Queiroz obteve direito à prisão domiciliar e um dos motivos para o benefício foi o fato de integrar o grupo de risco contra a covid por estar se recuperando de tratamentos contra um câncer.

Queiroz, inclusive, tomou a segunda dose da vacina antes de o presidente Jair Bolsonaro tomar a primeira. O presidente ainda não se vacinou. Na família do presidente, até o momento, apenas o senador Flávio Bolsonaro se vacinou e divulgou imagens da aplicação dias atrás.

O fato de o presidente não estar vacinado contra a covid-19 gera discussões no Palácio do Planalto. Meses atrás, o ministro Luiz Eduardo Ramos disse que estava preocupado com a situação e chegou a admitir que tomou a sua própria vacina escondido do presidente.

Queiroz passou cerca de um ano em prisão domiciliar e foi liberado do monitoramento, em março, por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ele foi preso em Atibaia, na casa de Frederick Wassef, um dos advogados do senador Flávio Bolsonaro em junho do ano passado. Márcia Aguiar, sua mulher, chegou a ficar foragida por mais de um mês após a prisão ser decretada.

O casal agora responde em liberdade a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio contra ele e o senador Flávio ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.

Dias atrás, Queiroz postou, irritado, mensagens reclamando de abandono e dizendo que "faz tempo que eu não existo pra esses 3 papagaios aí". O texto era seguido de uma foto em que Queiroz estava com o presidente Jair Bolsonaro e o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) e dois assessores da família Bolsonaro. Interlocutores do policial contaram à coluna que ele tem reclamado no círculo bolsonarista da falta de ajuda para arrumar emprego.