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Kennedy Alencar

'Americanos não estarão seguros nos EUA de Biden', diz Pence, vice de Trump

11.mar.2020 - O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante coletiva de imprensa sobre o coronavírus na Casa Branca, em Washington D.C. - Xinhua/Liu Jie
11.mar.2020 - O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante coletiva de imprensa sobre o coronavírus na Casa Branca, em Washington D.C. Imagem: Xinhua/Liu Jie
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

27/08/2020 00h34

"A dura verdade é que vocês [americanos] não estarão a salvo nos EUA de Joe Biden", disse o vice-presidente Mike Pence, fazendo o mais forte ataque ao candidato democrata na Convenção Nacional Republicana. Segundo Pence, que aceitou a nova indicação para concorrer à reeleição como vice-presidente dos Estados Unidos na noite desta quarta-feira, Biden seria "o cavalo de Troia da esquerda radical".

Todos os discursos republicanos procuraram descrever uma eventual gestão democrata como um risco "socialista" que resultaria no aumento da violência no país e na desorganização da economia. A visão de política externa de Biden também foi atacada na convenção, que começou na segunda e terminará amanhã com um discurso do presidente Donald Trump.

Com a tradicional supremacia branca em termos de oradores, o terceiro dia do encontro republicano ignorou os novos protestos raciais que eclodiram no país, com exceção de menção rápida de Pence para condenar a violência nas ruas de cidades americanas como Kenosha, no estado de Wisconsin. "Apoiamos [Pence e Trump] o direito de protestos pacíficos", disse. Mas emendou logo depois: "A violência tem de parar".

Pence, porém, não condenou mais um caso de violência policial contra um homem negro, Jacob Blake, que levou sete tiros pelas costas no domingo em Kenosha. Ele tampouco falou sobre a morte de duas pessoas na madrugada desta quarta na cidade. Uma terceira pessoa ficou gravemente ferida. Um adolescente branco de 17 anos foi apreendido, suspeito de integrar uma milícia de vigilantes e de ter matado pelo menos uma pessoa com fuzil semiautomático.

Hoje, houve protestos em cidades americanas. Estrelas do mundo esportivo, especialmente do basquete, também se manifestaram. A liga nacional de basquete cancelou sua rodada de jogos em solidariedade a Blake. O vice ignorou todos esses acontecimentos.

Pence discursou no Forte McHenry, em Baltimore, no estado de Maryland. No local, os americanos resistiram em 1814 a um grande bombardeio britânico que pretendia acabar com a recente independência da ex-colônia. Essa batalha inspirou a letra do hino americano, "Bandeira Estrelada".

Covid-19: solidariedade às famílias em discurso para plateia sem máscara

O vice-presidente se mostrou solidário às famílias que perderam entes queridos para a covid-19. Ele defendeu a versão insustentável de que o governo federal deu boa resposta à pandemia, que estaria sendo contida. Disse que o presidente Donald Trump "salvou vidas americanas" com suas decisões. Os EUA se aproximam dos seis milhões de casos e de 180 mil mortes.

O vice-presidente chegou ao Forte McHenry sem máscara e falou para uma plateia que não cobria o rosto e tampouco mantinha distanciamento social. "Biden não entende que os Estados Unidos são um país de milagres", afirmou. Ele prometeu uma "vacina segura até o final deste ano".

"Os democratas gastaram 4 dias atacando os Estados Unidos", disse o vice, escalado para rebater as críticas da Convenção Nacional Democrata realizada na semana passada. Ele citou, em tom crítico, a fala de Biden que se referiu ao governo Trump como um "período de trevas". Segundo o vice, os EUA precisam de um presidente que acredite no país.

O vice-presidente afirmou que Trump manteve a palavra dele perante o eleitor e cumpriu promessas, apesar de ter sofrido "ataques implacáveis" durante o mandato. Trump precisaria de "mais quatro anos" na Casa Branca para reconstruir a economia pós-pandemia, pregou Pence.

Mulheres pró-Trump

O terceiro dia da Convenção Nacional Republicana também foi marcado por discursos de mulheres que procuraram rebater a imagem de um presidente machista e misógino. Entre as oradoras, falaram duas assessoras diretas do presidente e uma nora do republicano, Lara Trump. O eleitorado feminino tem preferência pelo democrata Biden.

Segundo Kellyanne Conway, assessora presidencial que está de saída do cargo, Trump elevou mulheres a posições importantes em suas empresas e no governo. Ela disse que o presidente trata as mulheres em pé de igualdade, o que contraria atitudes machistas de Trump, por exemplo, ao responder a perguntas de algumas jornalistas na Casa Branca.

Um depoimento forte a favor de Trump foi o da assessora de imprensa, Kayleigh McEnany, que relatou ter feito uma mastectomia preventiva após o diagnóstico de que teria alto risco de sofrer de câncer de mama. Ela contou que Trump lhe deu um telefonema pós-cirurgia, dizendo-se preocupado com o seu estado de saúde, o que a tocou.

Assim como Pence, Lara Trump repetiu a mentira de que Biden quer tirar dinheiro da polícia. "Presidente Trump é o presidente da lei e da ordem, das fronteiras aos nossos quintais". "Ele é um bom homem e ama a sua família", disse a nora do presidente.

Das 24 pessoas que fizeram discursos na noite desta quarta, 21 eram brancas. Houve falas de dois negros e de um dissidente chinês. Não estão nessa conta pessoas que deram rápidos depoimentos. A estratégia republicana é evidente: assustar o eleitorado branco que foi vital para a vitória de Trump em 2016. Daí a demonização de um eventual governo Biden, que seria contra os interesses da América branca.

Em termos de diversidade étnica, tem sido enorme a diferença entre os encontros democrata e republicano. A Convenção Nacional Democrata teve duas apresentadoras negras, quadro com uma família de um astro negro do esporte, a vice de Biden é afro-americana e houve maior presença de oradores de origem negra, latina e asiática.

A base republicana é mais branca. A democrata espelha mais a diversidade étnica dos EUA.

O vice Pence fez menção ao furação Laura, que passou do nível 4 para perto do nível 5 enquanto a Convenção Nacional Republicana acontecia. "Esta é uma tempestade séria", afirmou. Ele disse que o governo federal está preparado para atender aos estados do sul do país que devem sofrer o impacto do furacão, como Texas e Louisiana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.