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Kennedy Alencar

Biden é fraco e destruirá EUA, diz Trump, repetindo tática do medo de 2016

O presidente dos EUA, Donald Trump, no primeiro dia da convenção nacional do Partido Republicano - David T. Foster III/POOL/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, no primeiro dia da convenção nacional do Partido Republicano Imagem: David T. Foster III/POOL/AFP
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

28/08/2020 01h39

O presidente Donald Trump disse que "Joe Biden é fraco" e "destruirá" os Estados Unidos (EUA). Segundo ele, haverá "duas visões" completamente diferentes em disputa nas urnas em 3 de novembro, o que faria destas eleições, nas palavras do republicano, "a mais importante da história".

De acordo com Trump, o candidato democrata à Casa Branca cederá à agenda da "esquerda radical", implantará o "socialismo" no EUA.

Em plena pandemia, Trump contrariou as recomendações sanitárias do próprio governo e fez um comício no Gramado Sul da Casa Branca. Ao aceitar a indicação para concorrer à reeleição, ele falou durante uma hora e dez minutos para uma plateia de cerca de 2 mil pessoas. A maioria dos presentes não usou máscaras nem respeitou o distanciamento social, o que torna o evento candidato a superdifusor de coronavírus.

"Ninguém estará a salvo nos Estados Unidos de Biden", disse o presidente, repetindo palavras que o seu vice, Mike Pence, usara na véspera. Segundo Trump, trata-se de "salvar o sonho americano" ou deixar o "socialismo" dos democratas destruírem-no.

Trump rebateu um bordão de Biden, dizendo que o democrata "não é o salvador da alma americana". O presidente também repetiu mentiras contra Biden, afirmando que o adversário quer diminuir verbas da polícia, o que o democrata já negou inúmeras vezes. Segundo o republicano, tirar poder e dinheiro da polícia aumentaria a criminalidade nas cidades americanas.

A estratégia de amedrontar eleitores brancos e conservadores, que deu certo em 2016, foi a tônica dos quatro dias da Convenção Nacional Republicana. Trump não fez menção ao caso mais recente de violência policial contra um homem negro, Jacob Blake, que levou sete tiros de um agente da lei no último domingo em Kenosha, no estado do Wisconsin. O policial que atirou pelas costas era branco.

Trump coloca Black Lives Matter como radical e perigoso

Num ano em que o país teve os maiores protestos contra a violência policial e o racismo estrutural desde a luta pelos direitos civis nos anos 60, Trump pintou os "manifestantes pacíficos" como um risco à segurança pública das cidades e dos subúrbios americanos. O republicano disse que Biden colocaria a população em risco ao pretender libertar 400 mil presos, o que foi mais uma das muitas falsidades ditas por Trump no seu discurso.

Associou os manifestantes a "anarquistas" e "saqueadores". Descreveu o "Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) como um movimento radical e perigoso para o cidadão médio, que "não quer rasgar" a história do país. A defesa da polícia foi feita com distorções, insinuando que os democratas querem atar as mãos dos agentes da lei. Trump disse que policiais estariam "com medo de agir, de perder a aposentadoria e de perder o emprego".

Em relação à pandemia, Trump procurou vender a imagem de um presidente que agiu corretamente contra "o vírus da China", apesar de dois terços dos americanos reprovarem a resposta do governo, segundo as pesquisas. "O plano de Biden não é solução para o vírus, mas a rendição para o vírus." Ele prometeu uma vacina até o fim do ano ou até antes.

No plano econômico, Trump descreveu os democratas como incompetentes para enfrentar os chineses no jogo geopolítico. O republicano disse que a China será "dona" dos EUA se Biden for eleito. Afirmou que ele defende empregos americanos e, por isso, enfrenta Pequim com mais vigor.

Mulher na Lua e bandeira em Marte

Se reeleito, Trump prometeu que uma mulher será enviada à Lua e que os Estados Unidos fincarão uma bandeira em Marte. Afirmou que indicou 300 juízes federais e dois ministros para a Suprema Corte afinados com valores conservadores e que continuará agindo assim se tiver mais quatro anos. O presidente encerrou seu discurso prometendo que fará dos EUA um país "mais seguro, mais forte, mais orgulhoso e mais grandioso do que nunca antes".

A quarta noite republicana teve mais diversidade étnica entre os principais oradores. Dos 20 que discursaram, havia quatro negros e um de origem latina, havaiana e asiática.

Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, foi o orador que resumiu a "tática do medo" usada pelos republicanos. Com foco em segurança pública, criticou prefeitos democratas, especialmente o atual mandatário da cidade de Nova York, Bill de Blasio. "Não deixem os democratas fazerem com os Estados Unidos o que fizeram com Nova York", disse, num apelo "lei e ordem" aos eleitores.

A filha Ivanka Trump, assessora do pai, defendeu o estilo dele no poder. "Os resultados falam por si", disse. "Washington não mudou Donald Trump. Donald Trump mudou Washington."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.