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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

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Haddad prepara candidatura ao governo de SP; Lula deseja aliança com Boulos

Guilherme Boulos (PSOL) apoiou Haddad (PT) no segundo turno de 2018 - Ricardo Stuckert
Guilherme Boulos (PSOL) apoiou Haddad (PT) no segundo turno de 2018 Imagem: Ricardo Stuckert
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

08/06/2021 15h16

O ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad prepara a sua candidatura ao governo de São Paulo no ano que vem, como querem a maioria do PT e o ex-presidente Lula.

Haddad está decidido a concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e tem adotado medidas para apresentar um plano de governo. Está montando uma equipe técnica e mapeando as características de cada região do estado.

Na sua agenda, ele também passou a priorizar compromissos estaduais, como entrevistas a veículos do interior, especialmente rádios. Aos 58 anos, Haddad aguarda a sua vez na fila da vacina contra a covid-19 para se dedicar com frequência a viagens por São Paulo.

Lula gostaria de firmar uma aliança entre o PT e o PSOL para o governo paulista. Guilherme Boulos, do PSOL, também está em campanha pelo Palácio dos Bandeirantes. Na visão do ex-presidente, haveria chance de acordo caso o PT oferecesse a Boulos a candidatura ao Senado pela aliança.

No entanto, há dificuldades para esse entendimento. Boulos já colocou o time em campo para concorrer ao governo paulista. Haddad avalia que um caminho alternativo seria tentar alguma composição com o PSB de Márcio França.

Nas eleições de 2018, França chegou ao segundo turno contra o atual governador, João Doria. Perdeu na época, mas alimenta o projeto de voltar a disputar o cargo. França está se recuperando de covid-19, o que tem deixado conversas políticas em segundo plano.

As articulações de alianças estaduais fortes interessam a Lula, que gostaria de ter como candidato a vice um nome de um partido como o PSB. O ex-presidente também gosta de Boulos e tem procurado incentivar composições entre o PT e o PSOL. Boulos apoiou Haddad no segundo turno da eleição presidencial de 2018, quando o petista foi derrotado por Jair Bolsonaro.

Com a volta de Lula ao jogo presidencial, cresceu no PT o movimento para lançar Haddad ao governo paulista. Ele era visto como o provável candidato do partido do Palácio do Planalto em 2022 até a decisão do ministro do STF Luiz Edson Fachin que devolveu ao ex-presidente os seus direitos eleitorais.

Lula está decidido a concorrer novamente ao Palácio do Planalto e tem feito articulações para formar alianças competitivas nas disputas pelos governos dos estados e lançar candidatos que fortaleçam as bancadas de esquerda no Senado e na Câmara.

Reinado tucano

Os tucanos governam São Paulo desde 1995. Uma eventual vitória da oposição em 2022 terminaria com 28 anos de poder do PSDB no Palácio dos Bandeirantes. Essa possibilidade tem estimulado Haddad, que perdeu para Doria em 2016 quando tentou a reeleição para prefeito de São Paulo.

No atual cenário político, Doria tem as opções de concorrer à Presidência, projeto que prefere mas que tem enfrentado dificuldades no PSDB nacional, ou disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes, objetivo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha mais realista.