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Kennedy Alencar

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro quer dar golpe, mas não há condição objetiva para sucesso

Bolsonaro fez rápida aparição no ato do 1º de maio em Brasília, onde cumprimentou apoiadores - Reprodução/Facebook
Bolsonaro fez rápida aparição no ato do 1º de maio em Brasília, onde cumprimentou apoiadores Imagem: Reprodução/Facebook
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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

06/05/2022 12h32Atualizada em 06/05/2022 13h07

As eleições não estão ameaçadas porque o presidente Jair Bolsonaro não tem as condições objetivas para dar um golpe de estado. Elas seriam apoio interno da elite econômica e política, unanimidade nas Forças Armadas, cenário internacional favorável, apoio de fatia significativa da imprensa e um governo minimamente funcional.

Nenhuma dessas condições está presente na conjuntura brasileira. A elite política e econômica lida com um governo que fabrica crises em série, gerando instabilidades institucional e econômica péssimas para o ambiente de negócios.

As Forças Armadas estão desgastadas com a associação a um presidente que foi considerado mau militar pelo ditador e general Ernesto Geisel. Não há na ativa respaldo para um golpe, apesar do discurso golpista frequente de generais da reserva.

Na cena internacional, Bolsonaro é visto e tratado como um pária. O Brasil perdeu relevância geopolítica e está isolado no cenário global. A comunidade internacional, com exceção de um autocrata aqui e outro ali, não tem apreço pelo presidente brasileiro e o vê como uma ameaça ao planeta devido à política ambiental ecocida.

Apesar de ter normalizado um fascista em 2018, a maioria da imprensa brasileira entende os riscos de um segundo mandato de um candidato a ditador que vem destruindo políticas públicas e enfraquecendo nossas instituições. Vivemos o pior momento desde a redemocratização de 1985. A imprensa sabe disso, apesar de ainda ser frequente a falsa simetria entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula, que polarizam a disputa presidencial.

Por último, não existe uma obra governamental de Bolsonaro que possa ser vendida como exitosa, nem uma política pública. A gestão desastrosa da pandemia é a marca do atual Poder Executivo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é figura desrespeitada no Congresso e no mercado financeiro. A economia como um todo está em frangalhos, com inflação e desemprego nas alturas.

Bolsonaro gostaria de empastelar as eleições? Sim.

Sonha em dar um golpe? Sim.

No entanto, para o bem do Brasil, não há condições objetivas que permitam ao genocida querer se eternizar no poder. Bolsonaro não passará.