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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

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Lula corrige rota e executa estratégia de atacar Bolsonaro na economia

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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

10/05/2022 14h56

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Na viagem a Minas Gerais, o ex-presidente Lula executa o ajuste da estratégia de comunicação de sua campanha, a exemplo do que sinalizou no lançamento da pré-candidatura: atacar Jair Bolsonaro prioritariamente na economia, evitando cair em temas que o atual presidente quer pautar no debate público, como a fake news sobre urna eletrônica.

A principal linha da campanha petista é centrar fogo na economia, a maior vulnerabilidade de Bolsonaro perante o grosso do eleitorado, sobre os mais segmentos mais pobres.

A segunda linha é tornar a atual eleição um plebiscito entre democracia e autoritarismo. Esse tema tem mais apelo perante os setores mais ricos e mais escolarizados, sobretudo aqueles segmentos que se afastaram do PT com o impacto da Lava Jato na política em geral e no partido em particular.

No lançamento da chapa Lula-Alckmin, no sábado, em evento em São Paulo, o ex-presidente leu um discurso, evitando improvisos que poderiam resultar em munição para Bolsonaro nas redes sociais.

No debate público, leva vantagem quem consegue ditar a agenda em discussão. Logo, debater ataques ao STF, confiabilidade da urna eletrônica e temas sobre costumes acaba por permitir a Bolsonaro navegar com mais desenvoltura pela sua estratégia de fake news. O atual presidente repete a estratégia de usar a mentira como arma política para fugir dos problemas de seu governo.

Na viagem a Minas, Lula disse: "A gente não vai pensar pequeno, a gente tem que olhar e falar: Bolsonaro, seus dias estão contados. Não adianta desconfiar de urna. O que você tem na verdade é medo de perder as eleições e ser preso depois". Para os auxiliares de Lula, essas palavras têm de ser o mantra das eleições ao lado das propostas econômicas.

"Nunca foi tão fácil escolher", frase com a qual Lula encerrou seu discurso no sábado, é o retrato da linha de campanha para conquistar eleitores mais conservadores e refratários ao PT, mas também um segmento progressista que hoje está, sobretudo, com Ciro Gomes (PDT).

A correção de rota de Lula foi tema do "Radar das Eleições", podcast do UOL sobre a atual campanha.