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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

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PT incorpora propostas de André Janones, que dará apoio a Lula nesta quinta

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Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

02/08/2022 11h50Atualizada em 02/08/2022 16h23

O PT aceitou a incorporação de propostas do candidato do Avante, André Janones, o que selará o apoio dele ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro nesta quinta-feira.

Desde o mês passado, quando tiveram reunião pessoal, Lula e Janones conversam sobre o apoio à candidatura presidencial do petista. Na semana passada, em trocas de mensagens nas redes sociais, a aproximação se aprofundou e Janones admitiu apoiar Lula se o ex-presidente incorporar propostas de campanha suas.

Lula já disse a interlocutores que vai incorporar e que deseja o apoio.

Debate presidencial

A tendência do ex-presidente Lula é participar do debate de 28 de agosto, um pool que inclui o UOL, o jornal Folha de S.Paulo e as TVs Bandeirantes e Cultura.

Há possibilidade de que Lula compareça mesmo que o presidente Jair Bolsonaro decida não participar. O PT considera que esse debate cumpriu o pedido de formação de pool proposto pelo PT.

JN

No PT, há maioria para que Lula compareça à entrevista na bancada do Jornal Nacional, da Globo.

Estratégia de campanha

A campanha de Lula avalia que, se ele mantiver um patamar de 47% de intenção de voto, como mostrou a última pesquisa Datafolha, seria viável uma vitória apertada no primeiro turno.

Bolsonaro precisaria crescer e tirar votos de Lula. Se crescer um pouco no campo de indecisos ou de candidatos já postos, a soma dos votos válidos continuaria favorável ao petista, sobretudo se houver menos candidatos. No caso dos indecisos, geralmente, os eleitores que se decidem se distribuem entre os candidatos na proporção de intenção de voto que já apresentam. Logo, de pouco adiante crescer limitadamente entre indecisos. Todo esse cálculo explica a movimentação com Janones, que tem alto capital em redes sociais e cuja intenção de voto pode ser decisiva numa eleição apertada.

Nesse contexto, a guerra de rejeições será a prioridade da campanha de Lula no horário eleitoral gratuito. Bolsonaro vai tentar aumentar a rejeição do petista. O petista vai se defender e tentar manter a rejeição de Bolsonaro acima de 50%.

Para o PT, um ponto fundamental da campanha é a narrativa sobre o Auxílio Brasil de R$ 600. Se Lula tiver sucesso em carimbar a medida como meramente eleitoral e duvidosa de continuar num futuro governo Bolsonaro, isso seria fundamental para a tentativa de vencer no primeiro turno.

Lula já se comprometeu a recriar o Bolsa Família e a pagar R$ 600 de forma contínua, como disse em entrevista ao UOL na semana passada.

Lula aposta no embalo da Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito para tentar vencer no primeiro turno. A iniciativa da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo é vista como o desembarque da elite que esteve com Bolsonaro.

Para petistas, golpistas que derrubaram Dilma e comemoraram a prisão de Lula entenderam que não há terceira via e que o caminho seria a volta do ex-presidente ao poder.

Fator Ciro

Ciro Gomes não está no radar de Lula. Não seria a hora de pedir votos ao eleitor dele. Agora, só aumentaria o já alto nível de ataques de Ciro. Para o PT, o eleitor mais politizado de Ciro vai acabar fazendo voto útil contra Bolsonaro na reta final. Estes foram os temas de O Radar das Eleições, um podcast do UOL.