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Rogério Gentile

Gretchen ganha processo judicial contra rival dos anos 80

Retrato da cantora Gretchen - Julia Rodrigues/UOL
Retrato da cantora Gretchen Imagem: Julia Rodrigues/UOL
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

28/09/2021 10h20

A Justiça paulista deu razão a Gretchen em um processo aberto pela cantora Sol, sua rival nos anos 1980.

Sol, cujo verdadeiro nome é Sandra do Valle Reis, cobrava uma indenização de R$ 1 milhão da "rainha do rebolado" por considerar ter sido citada de modo pejorativo no livro "Gretchen: Uma Biografia Quase Não Autorizada", escrito por Gerson Couto e Fabio Fabrício Fabretti, que também foram alvos do processo.

A cantora, que se apresentava com visual sensual e voz doce, quase infantil, disse à Justiça que a biografia sugere que ela é uma pessoa "invejosa", "grossa" e mal vestida". Sol reclamou, sobretudo, do termo "Barbie puta", empregado num diálogo reproduzido no livro.

Além da indenização, a cantora, também conhecida como a "rainha do garimpo" por ter se apresentado em Serra Pelada, queria que a Justiça retirasse a obra de circulação, bem como obrigasse a rival a publicar uma nota de retratação.

Gretchen se defendeu na Justiça argumentando que nunca escreveu nenhum livro, tendo dado apenas permissão para que os autores relatassem "sua história artística". "Não tenho qualquer responsabilidade sobre as histórias de outras pessoas narradas no livro, tampouco sobre as fotos publicadas", afirmou sua defesa no processo.

Disse ainda que cantora Sol citada na obra seria outra pessoa, que usaria o mesmo apelido, declaração que foi referendada pelos autores do livro. Ao se defenderem na Justiça, os autores disseram ainda que a liberdade de expressão é um direito garantido pela Constituição.

Na sentença que julgou o processo improcedente, o juiz Felipe Poyares Miranda afirmou que a Constituição proíbe a censura e que não é necessário autorização prévia para se publicar uma biografia.

"A obra é um retrato histórico e informativo da vida da Maria Odete [Gretchen], não tendo o intuito direto de depreciar a imagem da parte autora [a cantora Sol], mas sim apenas retratar uma já notória rivalidade existente entre as partes, na medida em que a autora fez parte da história da requerida e do show business nos anos 1980 a 1990".

Sol ainda pode recorrer da decisão.