Wálter Maierovitch

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Opinião

'Apartheid' na Cisjordânia tem no premiê de Israel seu grande incentivador

A ANP (Autoridade Nacional Palestina) está "quebrada" financeiramente. Ela nasceu em 1994 para governar e criar as estruturas necessárias para a implantação do Estado nacional.

Nem os seus agentes de ordem (policiais), empenhados a impedir a contaminação da Cisjordânia pelos terroristas do Hamas, estão com as remunerações em dia.

Mahmoud Abbas, presidente da ANP, é impopular e se mantém no poder em razão de não marcar eleições. Aproveita a instabilidade para justificar os adiamentos.

Os colonos palestinos, com jovens a engrossar fileiras, estão a protestar. Já se fala numa terceira Intifada — a segunda aconteceu em 2001 com homens-bomba a explodir.

O presidente dos EUA, Joe Biden, recebeu hoje, dos serviços de inteligência, o alerta de revolta de jovens palestinos. Também foi informado que a região está à beira de um colapso.

Ainda não se sabe o que Biden fará, mas o primeiro-ministro israelense, "Bibi" Netanyahu, sabe bem o que está acontecendo. Um segundo conflito traz a certeza de repetições de tragédias.

O supremacista judeu Itamar Ben-Gvir, líder do partido da extrema direita que apoia Netanyahu, reivindica toda a Cisjordânia para Israel. A área foi conquistada na Guerra dos Seis Dias de 1967.

Ele faz uma leitura conveniente dos textos sagrados e conta com a orientação de religiosos ortodoxos, remunerados pelo Estado de Israel, para sustentar a legitimidade das terras.

Com os seus seguidores fascistas, Ben-Gvir provoca os colonos palestinos da Cisjordânia e pressiona Netanyahu para fazer a "grilagem".

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Recentemente, Ben-Gvir propôs ao Parlamento a adoção de pena de morte aos membros do Hamas envolvidos no ataque terrorista de 7 de outubro.

Pelo Direito das Gentes, trata-se de um absurdo a proposta legislativa de Ben-Gvir.

Netanyahu tem sido acusado de retirar a segurança militar da Faixa de Gaza para empregar os soldados no apoio ao expansionismo "grileiro" de camponeses judeus.

Em outras palavras, o Exército deslocou-se da Faixa de Gaza para dar cobertura aos camponeses invasores, grileiros. A tática é, depois e diante das áreas construídas, jogar no fato consumado.

Como acaba de informar o jornal Haaretz, de oposição a Netanyahu, caso aconteça revolta a se transformar em mais uma Intifada, não poderá Netanyahu afirmar que houve surpresa.

O "apartheid" na Cisjordânia

Na região da Cisjordânia, a lei não é aplicada de maneira igual a todos. Os camponeses palestinos são tratados de forma desigual aos israelenses do território ocupado.

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Pelo Direito das Gentes, quando dois povos ocupam o mesmo território (Cisjordânia, no caso) e o tratamento legal é desigual, ocorre "apartheid".

O "apartheid" tem em Netanyahu o seu grande incentivador.

E, politicamente, um novo conflito destruirá a campanha de reeleição de Biden.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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