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Uma iniciativa do UOL para checagem e esclarecimento de fatos


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Clarissa Garotinho erra dados sobre arrecadação e bloqueio de bens de Paes

Clarissa Garotinho, candidata à Prefeitura do Rio pelo PROS - UOL
Clarissa Garotinho, candidata à Prefeitura do Rio pelo PROS Imagem: UOL

Chico Marés, Ígor Passarini, Gustavo Queiroz, Maurício Moraes e Nathália Afonso

Da Agência Lupa

26/10/2020 18h01Atualizada em 27/10/2020 10h37

A deputada federal Clarissa Garotinho (PROS) foi a primeira entrevistada na sabatina promovida pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Ela fez críticas às gestões dos dois últimos prefeitos, os também candidatos Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos), e criticou o que considera "injustiças" cometidas contra seus pais, os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho. A Lupa checou algumas das declarações da candidata. Confira o resultado da análise.

O Eduardo [Paes] teve R$ 240 milhões bloqueados na conta dele por envolvimento na máfia do transporte.
Clarissa Garotinho (PROS), candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina

Exagerado

No último dia 20, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decretou o bloqueio de bens do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) por suspeita de favorecer empresas em licitações do ramo de transportes da capital fluminense. Entretanto, o montante penhorado de até R$ 240,3 milhões contempla, também, as contas do ex-secretário municipal de Transportes Paulo Roberto Santos Figueiredo e do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro.

A decisão preliminar do desembargador Gilberto Matos aponta que, entre 2011 e 2013, Eduardo Paes permitiu um repasse de R$ 240,3 milhões de verbas destinadas à pasta da educação para as concessionárias de transporte, "a título de contrapartidas por gratuidades, sem cobertura contratual nem legal".

De acordo com o TJ, este repasse foi facilitado pelo Decreto 32.842, de 2010. Os consórcios Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz e as empresas Real Auto Ônibus, Viação Nossa Senhora de Lourdes, Viação Redentor e Expresso Pégaso também tiveram bens sequestrados até o valor de R$ 511,7 milhões.

Em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, Paes informa possuir R$ 478,3 mil em saldo bancário, investimentos e outros bens.

Em nota, a assessoria de comunicação da candidata pontuou que, embora a responsabilidade seja solidária, "o fato mais importante é que a decisão se relaciona a práticas gravíssimas do ex-prefeito, envolvido com a máfia dos transportes".

No Rio de Janeiro, tem regiões que têm o metro quadrado mais caro do mundo.
Clarissa Garotinho

Falso

De acordo com um ranking publicado pela revista Forbes, em 2018, Mônaco, Hong Kong, Nova York, Londres e Genebra são as cidades com o metro quadrado mais caro do mundo. Os imóveis do Leblon, bairro mais caro do Rio de Janeiro, são menos valiosos do que a média de todas essas cidades.

Segundo dados da imobiliária londrina Knight Frank, usados como base pela Forbes, o metro quadrado mais caro do mundo está no principado de Mônaco, onde US$ 1 milhão dá direito a 17 metros quadrados. Ou seja, cerca de US$ 58 mil (R$ 325 mil) por metro quadrado, na cotação do dia 26 de outubro de 2020, ao meio-dia (R$ 5,62).

Em seguida aparecem: Hong Kong (20 m²); Nova York (26 m²); Londres (30 m²) e Genebra (42 m²). A única cidade brasileira que aparece na lista é São Paulo, em 19º, com 176 m² pelo mesmo valor de US$ 1 milhão.

De acordo com um levantamento feito pelo Mercado Livre no ano passado, o Leblon, que é o bairro mais caro do Rio de Janeiro, têm um preço médio de R$ 20,4 mil por metro quadrado.

Em nota, a assessoria de comunicação da candidata diz que a referência foi meramente ilustrativa. "É sabido que algumas regiões da cidade, tais como Leblon e Ipanema, têm metros quadrados elevadísssimos, certamente no topo da lista mundial, enquanto algumas localidades convivem com a falta de esgoto, de saúde e de condições mínimas de sobrevivência", disse.

A arrecadação da cidade não caiu, a arrecadação da cidade vem aumentando ano a ano.
Clarissa Garotinho

Falso

De acordo com informações da Controladoria Geral do Município (CGM), a arrecadação do município do Rio de Janeiro caiu, considerando valores corrigidos pela inflação.

Em 2016, último ano da gestão de Eduardo Paes, a arrecadação estava em R$ 32 bilhões. No ano seguinte, a receita caiu para R$ 27,7 bilhões. Esses valores voltaram a crescer em 2018 (R$ 29,2 bilhões) e em 2019 (R$ 29,4 bilhões), mas não atingiram o patamar da gestão anterior. Foi considerado, para fins de correção monetária, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até o mês de setembro de 2020.

Em nota, a assessoria de comunicação da candidata reafirma que a arrecadação da cidade aumentou, desconsiderando a inflação do período. "De fato, a arrecadação aumentou de 2018 em relação a 2017 e de 2019 em relação a 2018, mostrando uma tendência de subida antes da pandemia", disse.

O senador do Rio de Janeiro que ganhou a eleição estava em quinto lugar na véspera da eleição.
Clarissa Garotinho

Verdadeiro

A última pesquisa do Instituto Datafolha foi realizada três dias antes do primeiro turno das eleições de 2018. Os senadores que foram eleitos pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD), tinham, respectivamente, 30% e 11% das intenções de voto.

Enquanto Flávio liderava a disputa, Arolde aparecia empatado em quinto lugar com Miro Teixeira (Rede). Os dois também estavam atrás do vereador Cesar Maria (DEM), com 29%, do então senador Lindbergh Farias (PT), com 20%, e de Chico Alencar (PSOL), com 15%.

Após 100% da apuração das urnas, Flávio recebeu 31,36% dos votos (4.380.418) e Arolde, 17,06% (2.382.265).

O governador que ganhou a eleição tinha 1% [na véspera].
Clarissa Garotinho

Falso

De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha em 5 de outubro de 2018, dois dias antes do primeiro turno das eleições, o então candidato Wilson Witzel (PSC), que viria a ser eleito como governador, tinha 9% das intenções de voto. Ele ocupava a quarta posição, atrás de Eduardo Paes (DEM), com 24%, Romario (Podemos), com 16%, e Indio (PSD), com 10%.

Com as urnas apuradas, o primeiro turno registrou Witzel com 41,28% dos votos (3.154.771) e Paes com 19,56% (1.494.831). No segundo turno, o ex-juiz teve 59,87% dos votos e foi eleito governador. Paes ficou com 40,13%.

Em nota, a assessoria de comunicação da candidata diz que 1% foi "força de expressão". De acordo com ela, "os institutos erraram demais, sim" e, na véspera da eleição, Witzel "tinha um percentual de intenção de votos absurdamente inferior" ao que foi verificado nas urnas.

Ele [Eduardo Paes], quando saiu da prefeitura, nos dois últimos anos, aumentou a passagem de ônibus em 26%.
Clarissa Garotinho

Verdadeiro

Nos últimos dois anos da gestão de Eduardo Paes, a passagem de ônibus aumentou 26,6%. Em seu site, a Prefeitura do Rio mostra que o valor da tarifa foi de R$ 3, em 2014, para R$ R$ 3,80, em 2016. Atualmente, o valor é de R$ 4,05.

[Eduardo Paes] pegou o ISS das empresas de ônibus e baixou para 0,01%.
Clarissa Garotinho

Verdadeiro

Em 2011, o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sancionou um projeto de lei (PL) que reduziu a alíquota de 2% para 0,01%. Na ocasião, Clarissa Garotinho foi um dos quatro vereadores que votaram contra a redução. Eles contestaram a proposta, classificando como inconstitucional.

O assunto voltou a ser debatido na Câmara Municipal e, em 2018, os vereadores aprovaram —por 40 votos a zero— um PL que restabelecia a alíquota para 2%. Esse projeto foi sancionado por Crivella.

Contudo, em 2019, o consórcio Intersul e Santa Cruz conseguiu uma liminar na 1ª Vara da Fazenda Pública para que a alíquota voltasse a ser de 0,01%.

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