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É falso que violência no campo caiu, como disse Bolsonaro na RedeTv

01.set.2022 - De acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra sobre conflitos no campo, houve aumento de 75% nos casos de homicídios em 2021 - Arte/UOL sobre Reprodução RedeTV
01.set.2022 - De acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra sobre conflitos no campo, houve aumento de 75% nos casos de homicídios em 2021 Imagem: Arte/UOL sobre Reprodução RedeTV

Do UOL, em São Paulo

01/09/2022 22h06

É falso que "a violência no campo caiu assustadoramente", como afirmou o presidente Jair Bolsonaro em entrevista à Rede TV!, nesta quinta-feira (1). Dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) indicam o contrário: o número de assassinatos no campo aumentou no ano passado.

Você pode ver, a violência no campo caiu assustadoramente. Porque nós aprovamos no Congresso um projeto que visava dar a posse estendida da arma de fogo. Antes o fazendeiro, sitiante, só podia ter arma dentro da sua casa, ele agora pode montar um cavalo, bicicleta, uma motocicleta, ou um carro e andar armado em todo o perímetro da sua propriedade. E isso inibe a violência no Brasil.

Falso. Além de fazer uma falsa correlação entre a suposta queda da violência e o armamento da população, como o UOL Confere já desmentiu, não é verdade que a violência no campo caiu.

Pelo contrário, de acordo com o relatório 'Conflitos no campo' da CPT, em 2021 houve aumento de 75% dos assassinatos no campo em relação ao ano anterior. Ano passado, 35 pessoas foram mortas nos conflitos por terra, a maior parte delas era indígenas (10), sem-terra (9), posseiros, (6) e quilombolas (3). Em 2020, 20 pessoas foram vítimas das disputas territoriais. O relatório é lançado anualmente pela CPT.

A lei a que se refere Bolsonaro, que ampliou a posse de arma para toda a extensão da propriedade rural, foi sancionada em 2019.

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