Temendo ataques, rodoviários de Natal rodarão com frota reduzida nesta quinta

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

Rodoviários que fazem o transporte municipal em Natal (RN) e cidades da região metropolitana deverão rodar com frota reduzida nesta quinta-feira (19). A medida foi tomada pelo Sintro-RN (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte), após onda de ataques criminosos que já incendiou 15 ônibus, um micro-ônibus e seis veículos da prefeitura e do governo do Estado nesta quarta (18), sem registro de feridos.

O último registro ocorreu no final da noite. Homens armados tentaram invadir as garagens das empresas Guanabara e Oceano, que são vizinhas e estão localizadas no bairro Nova Zelândia, às margens da rodovia BR -406, na divisa entre Natal e São Gonçalo do Amarante.

Segundo a polícia, seguranças armados das empresas reagiram e houve dez minutos de tiroteio. Os criminosos foram embora antes da chegada das polícias Militar e Rodoviária Federal. Mais uma vez, ninguém ficou ferido ou foi preso.

A onda de ataques a ônibus teve início durante a transferência de presos acusados de liderar rebelião que deixou 26 mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal). O motim ocorreu entre o sábado (14) e o domingo (15), por disputa entre as facções Sindicato do Crime do RN e PCC (Primeiro Comando da Capital).

O sindicato dos rodoviários não soube informar quantos ônibus circularão em Natal. Os primeiros ônibus desta quinta-feira (19) começam a sair das garagens às 5h30 (6h30 no horário de Brasília), porém o sindicato alerta para a possibilidade de que rodoviários se recusem a sair das garagens com os veículos caso mais ataques venham a ocorrer nesta madrugada.

"Os rodoviários querem garantias do governo do Estado para que haja segurança no trabalho e que as viagens ocorram sem intercorrências que coloquem a vida deles em risco", disse o Sintro-RN.

Temendo novos ataques, rodoviários começaram a recolher a frota no fim da tarde desta quarta-feira. Às 18h30, não havia mais transporte de passageiros por meio de ônibus. Para os usuários de ônibus não ficarem sem alternativa para voltar do trabalho para casa, a STTU (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana) autorizou que táxis e vans fizessem o transporte de lotação para os passageiros durante o período de paralisação dos ônibus.

Segundo a polícia, seguranças armados das empresas rodoviárias reagiram e houve dez minutos de tiroteio. Os criminosos foram embora antes da chegada das polícias Militar e Rodoviária Federal. Ninguém ficou ferido ou foi preso.

O sindicato dos rodoviários e o Seturn (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal) informaram que aguardam posicionamento do governo do Estado sobre reforço na segurança para os ônibus circularem.

Atualmente, a frota de ônibus em Natal é composta por 715 veículos e o sistema transporta 370 mil passageiros por dia, segundo dados do Seturn. Em agosto do ano passado, uma série de atentados criminosos que ocorreu a mando de facções criminosas no Estado gerou prejuízo de R$ 4 milhões para o setor de transporte em Natal. Na época, 32 ônibus e micro-ônibus foram incendiados em todo o RN.

Ataques

Oito ônibus da empresa São Geraldo, que faz o transporte interestadual de passageiros, foram incendiados por criminosos no início da noite desta quarta-feira (18), em Natal. A empresa fica localizada no bairro Felipe Camarão, zona oeste da capital.

Durante o dia, outros três ônibus de transporte municipal foram atacados. O primeiro deles estava na avenida 25 de Setembro, na praia do Meio, e ficou totalmente destruído pelo fogo. Os outros dois ônibus foram incendiados na avenida Maranguape, no Vale Dourado, zona norte de natal. Os veículos foram atacados quando estavam estacionados no terminal de ônibus da linha 5.

Segundo o sindicato dos rodoviários, ninguém ficou ferido e nenhum dos passageiros ou funcionários rodoviários tiveram pertences roubados nos ataques a ônibus em Natal. O dinheiro do caixa dos ônibus também não foi levado.

Ainda durante o dia, um veículo do governo do Estado foi atacado e incendiado por criminosos no bairro de Mãe Luíza, região sul de Natal.

Ataques no interior e rebelião

Em Caicó, presos da Penitenciária Estadual do Seridó se rebelaram, quebraram grades do pavilhão B, atearam fogo em colchões e invadiram a cozinha da unidade prisional. Segundo a Polícia Militar, ao menos um preso foi morto e outros ficaram feridos na rebelião iniciada na noite desta quinta. Alguns chegaram a subir no telhado da penitenciária com tecidos contendo o nome da facção criminosa Sindicato do Crime do RN, rival do PCC (Primeiro Comando da Capital). A bandeira tem siglas de outras facções aliadas ao Sindicato do Crime do RN, como: CV, OKD, FDN.

Ao mesmo tempo que os presos se amotinaram, um ônibus e cinco veículos foram incendiados em Caicó. Pelo menos cinco veículos da Secretaria Municipal de Saúde foram incendiados. Eles estavam estacionados em uma área do pátio da secretaria, localizada no bairro Vila do Príncipe, zona norte. Não há registro de feridos e o fogo já foi contido.

Já o ônibus que pegou fogo em Caicó estava na garagem da Viação Jardinense, que faz transporte intermunicipal de passageiros. O veículo teve perda total, mas ninguém se feriu. 

Segundo a polícia, há registro de incêndios criminosos em um ônibus em Macau (região oeste do Estado), Baixa de Maxaranguape (região norte do Estado), João Câmara (região norte do Estado) e um micro-ônibus no bairro Bela Vista, em Parnamirim (região metropolitana de Natal). Também sem registro de vítimas.

Em pronunciamento, o governador Robinson Faria destacou que o Estado "vive a pior crise da história da segurança pública", motivada por briga de facções. Para Faria, a crise da segurança ocorre porque o governo não vai recuar e não vai negociar com facção criminosa.

"Não vamos aceitar. Nosso governo não recuou e, por não ter negociado, por não ter recuado, eles [os presos] querem agora levar o pânico à população. Confiem no governador, confiem na polícia, pois jamais eles serão maior que o Estado", ressaltou o governador.

O secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Caio Bezerra, afirmou que a polícia está investigando se os ataques a ônibus e outros veículos têm relação com a transferência dos presos de Alcaçuz para outras unidades prisionais. A Sesed disse que suspeitos já foram presos, mas não informou quantos e quais crimes estão sendo acusados.

"Nós estamos investigando [esse ataque]. Algumas pessoas já foram identificadas. Um dos casos não tem vinculação com a transferência [dos presos], mas, no caso dos ônibus, provavelmente há algum tipo de situação vinculada", disse o secretário.

Alcaçuz é o maior presídio do Estado e está superlotado: abriga cerca de 1.200 presos, enquanto sua capacidade é de 620 internos. A penitenciária custodia presos das facções criminosas Sindicato do Crime do RN e PCC (Primeiro Comando da Capital).

Tropa de Choque da PM entra no presídio de Alcaçuz

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